Um só corpo

Na igreja, o corpo místico de Cristo, estamos todos ligados e unidos pela mesma missão.
Essa metáfora do corpo é riquíssima e traz consigo algumas implicações para a igreja local. Como corpo, aprendemos a respeitar a diversidade. O corpo é uma unidade composta, como argumenta o apóstolo Paulo. Embora sejamos muitos membros, somos um só corpo (Romanos 12.4-5, 1 Coríntios 12.12-27, Efésios 4.4).
Para respeitar a diversidade devemos combater a “baixa autoestima”. Primeiramente em nós e, depois, no outro. Essa baixa autoestima aparece quando o pé diz: “Porque não sou mão, não pertenço ao corpo” (1 Coríntios 12.14-20). Mas também pode se manifestar como uma falsa humildade que esconde nossa fuga da responsabilidade de participar do corpo e com relação aos dons que recebemos. Paulo combate esse pensamento e essa atitude.
A fim de respeitar a diversidade, também devemos combater o orgulho. Paulo argumenta que “o olho não pode dizer à mão: Não preciso de você! Nem a cabeça pode dizer aos pés: Não preciso de vocês!”. Ao respeitar a diversidade reconhecemos que todos os membros são igualmente importantes quando cada um realiza sua função para que o corpo todo seja saudável (1 Coríntios 12.21-26).
Para respeitar a diversidade precisamos cultivar a humildade. Primeiro em nós, e depois ensinar e incentivar o outro também. Humildade é ter um conceito equilibrado a respeito de si mesmo. O Apóstolo Paulo ensina que “ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado” (Romanos 12.3-5). A humildade nos leva a compreensão de que, Deus nos concedeu dons e nos colocou no corpo, onde somos necessários e importantes na função que Ele nos determinou.
Respeitar a diversidade significa compreender que eu não sou melhor que ninguém, mas que eu sou tão necessário quanto qualquer um, e finalmente, que eu faço parte do corpo, isto é, que eu preciso estar e ser corpo numa experiência concreta na igreja local, onde consiga enxergar a beleza na diversidade da vida e das experiências dos irmãos.
Como corpo, aprendemos a “defender a unidade”. Aprendemos a proteger o corpo contra poluição e infecções. Existe um grupo de mandamentos recíprocos que me orientam a evitar em mim e nos outros pensamentos e atitudes que adoecem o corpo como: a inveja (Gl 5.26) , o julgamento (Mt 7.1), as queixas (Tg 5.9) , a maledicência (Tg 4.11), as disputas (Gl 5.14-15), as provocações (Gl 5.26), a mentira (Cl 3.9-10), os pecados (Tg 5.16) e a falta de perdão (Ef 4.31-32). Todas essas coisas devem ser evitadas a fim de defender a unidade do corpo. Aprendemos que “se algo vai nos dividir, é porque não estamos prontos para decidir”, logo, devemos orar mais um pouco, devemos estudar mais um pouco, devemos ouvir mais um pouco e quem sabe, até ceder ainda mais um pouco.
Como corpo, aprendemos a importância de viver na comunhão, isto é, estar juntos, ligados e unidos na mesma missão de trabalhar pelo que nos é comum. A comunhão promove em mim e nos outros o amor (Jo 15.12; Rm 12.10), o acolhimento (Rm 15.7), a amabilidade (Rm 16.16; 1Co 16.20), o cuidado mútuo (1Co 12.24-25), a autossubmissão (Ef 5.21) e a tolerância que promove o crescimento em amor (Ef 4.2). Isso significa edificar a igreja. Os dons foram concedidos exatamente com esse propósito na vida da igreja (1 Co 12.3-5, 12, 17, 26). É na interação desenvolvida na comunhão que ocorre a edificação, pois existe a troca de edificação (Rm 14.19; 1Ts 5.11), de ensino (Cl 3.16), de encorajamento (Hb 3.12-13), de aconselhamento (Rm 15.14; Cl 3.16) e de vigor espiritual (Ef 5.19-20).
Um corpo bem cuidado é saudável. A Igreja, o corpo místico de Cristo, está ligado e unido pela missão de edificar-se a fim de glorificar o Pai. Como um corpo, respeita a sua diversidade, protege a sua unidade e vive em comunhão para a glória de Deus.




