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Uma só justiça

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
25 de jan.
3 min de leitura

Só por Jesus podemos ser declarados inocentes diante de Deus.

 

Existe um princípio jurídico de que a sentença deve ser de acordo com os fatos apresentados nos autos, de tal maneira que um juiz não tem o direito de absolver o culpado e condenar o inocente. Interessante que isso se aplica ao Deus santo e justo da Bíblia que quer nos justificar, isto é, absolver ou nos declarar justos, mas não pode fazê-lo diante do fato do nosso pecado. A Bíblia, então, responde à questão de como pode um Deus santo e justo receber em sua presença o pecador.

 

O apóstolo Paulo argumenta que existem dois reinos: o da morte e o da graça (Romanos 5).

 

O Reino da morte existe porque todos pecaram (Romanos 3.21-25). Todos pecaram porque todos descendem de Adão que passou para toda a humanidade a consequência de seu pecado original no Éden – a morte (Romanos 5.12). O pecado sempre existiu no fato da morte e a morte sempre existiu como prova do pecado. Um círculo vicioso mesmo quando não havia uma lei escrita que informasse isso. Por isso, desde Adão, o pecado reina escravizando o ser humano e destinando-o à morte (versos 12-14). Este é o reinado da morte, determinado pela transgressão, desobediência ou pecado de um só – Adão – que condenou todos à morte definindo todos os homens como pecadores desde o nascimento (verso 17).

 

O pecado é algo tão sério que determinou o destino da humanidade em morte, seja física, seja espiritual. No entanto, uma transgressão tão séria precisa de um antídoto mais poderoso capaz de anular suas consequências. É o que acontece quando graciosamente, em forma de dádiva, Deus oferece o remédio capaz de cortar os efeitos do pecado que sempre gera morte (versos 15-19). A Lei surge para destacar a existência do pecado desde sempre, mas especialmente aponta o antídoto para o pecado e suas consequências. É assim que “Deus demonstra o seu amor por nós” e somos “justificados pelo seu sangue” e “reconciliados com ele por meio da morte de seu filho” (versos 6-11). O antídoto para o pecado e suas consequências é uma dádiva do próprio Deus pois tem como ingrediente a graça de Deus, o sangue de Cristo e a morte de Cristo.

 

O Reino da Graça é acessado pela dádiva que trata o pecado e nos liberta do reinado da morte. É um ato do amor de Deus, um favor imerecido Seu em nosso favor. É a graça que transborda de maneira muito superior à transgressão cometida no Éden e sobre todas aquelas que cometemos diariamente e nos dá acesso ao Reino da Graça (versos 20-21).

 

Enquanto o reinado da morte – fruto do pecado - se dá através de uma consciência fustigada pelo medo da própria morte, pelo furto da esperança quanto ao futuro na eternidade e na condenação da própria existência à morte; o reinado da graça nos garante paz com Deus, esperança mesmo em meio a tribulação e justificação (absolvição) que garante a vida eterna (versos 1, 2 e 17).

 

O Apóstolo Paulo é exemplo deste reinado da graça ao afirmar que, mesmo sendo o pior dos pecadores foi alcançado e colocado no ministério pela graça (1 Timóteo 1.12-17). Que foi sustentado e capacitado a enfrentar tribulações de ordem física, emocional, circunstanciais e espirituais pela graça suficiente de Cristo (2 Coríntios 11.23-29; 12.7-10).

 

Temos uma só justiça, operada por Deus através de Cristo e em nosso favor e pela qual ousamos ir à presença de Deus e sermos a sua igreja. Estamos justificados porque somos justificados por Deus (Rm 8.30); pelo sangue de Cristo (Rm 3.24-26); pela fé (Rm 3.28); pela graça (Rm 3.24); pelo Espírito Santo (1 Co 6.11), pelo próprio Cristo (2 Co 5.21) e pelas obras que evidenciam nossa justificação (Tg 2.21).

 

Adão prefigura o Cristo. Adão transferiu a todos os seus descendentes as consequências da sua desobediência, transgressão ou pecado original, que é a condenação à morte e nos encarcerou nesse reinado da morte.

 

Cristo, porém, de maneira mais poderosa e transbordante, transmite a todos os seus descendentes - os que creem pela fé - a consequência do seu ato de justiça ou obediência, a vida eterna que começa agora na vida abundante que nos quer proporcionar, pois Deus, em Cristo, “nos resgatou do império das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado” (Colossenses 1:13). Aleluia!!!



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