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Uma só maturidade

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
1 de fev.
3 min de leitura

Alcançamos a maturidade quando somos capazes de ensinar e ser exemplo com responsabilidade.

 

A maturidade tem diferentes graus em diferentes pessoas, mas há um consenso sobre, mais ou menos, quando ela se estabelece. Assim, maturidade é o estado do pleno desenvolvimento. Seja físico, emocional, social ou espiritual, a maturidade é o ápice da capacidade de agir com equilíbrio, responsabilidade e autoconhecimento, superando a simples idade cronológica. Isso envolve inteligência emocional, aceitação de erros, controle impulsivo e resiliência, permitindo lidar com adversidades de forma consciente. Na Biologia, a maturidade é a capacidade de agir conforme o adulto da espécie.

 

Na Bíblia, maturidade não é um estado, mas um processo contínuo de crescimento espiritual que conduz à conformidade do nosso caráter à imagem de Cristo, que é o adulto da nossa espécie (Colossenses 1.24-29). Aprendemos o discernimento moral - entre o bem e o mal - e a depender de Deus em vez de si mesmo. Isso não é uma perfeição instantânea, mas um progresso constante em humildade, amor ao próximo e serviço ativo. 

 

Podemos destacar três características da maturidade que Paulo ensina (Efésios 4.1-3).

 

A primeira é a compreensão da “vocação” (verso 1). Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo desenvolve o conceito de vocação como uma chamada divina fundamental. A partir desse chamado estamos vocacionados para pertencer a Cristo, viver em santidade e servir à unidade da Igreja. Isso é viver de maneira digna da vocação que recebemos, pois nossa existência passa a ser dirigida desta perspectiva. É uma vocação que une os crentes em um novo corpo (a Igreja), baseada no plano eterno de Deus e realizada pela graça. Paulo se apresenta como prisioneiro no Senhor porque provavelmente está encarcerado ao escrever a carta. No entanto, seu aprisionamento não o impede de escrever a carta, de se “preocupar” com a igreja, ensinando e orientando, de evangelizar os guardas da prisão e, especialmente, de fazer com que sua vida, em qualquer circunstância, sirva para “glorificar” a Deus. Isso é viver de maneira digna da vocação, do chamado.

 

A segunda é ter um “caráter” aprovado, sendo um bom exemplo (verso 2). O caráter envolve o conjunto de traços morais, éticos e psicológicos. Ele define nossa índole, nossa forma de agir e de reagir na interação com outras pessoas. O caráter se manifesta na mutualidade, na prática do amor recíproco, cuidado e serviço entre irmãos, expressa pelo mandamento "uns aos outros". Nesse sentido, o adulto da espécie é Jesus. Ele é nosso padrão de humildade e, por isso está escrito, “seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” que foi humildemente obediente até a morte não se apegando às suas prerrogativas divinas (Filipenses 2.1-11). Da mesma forma, devemos ter um “conceito equilibrado” a nosso próprio respeito (Romanos 12:3). Devemos ser amáveis como Jesus, que assim se define (Mateus 11.28-29). Em seu ministério Ele acolheu a mulher pega em adultério (João 8.1-10), ou aquela mulher de fama duvidosa que derramou perfume aos seus pés (Lucas 7.36-50), e finalmente tratou amoravelmente a multidão que o crucificou (Lucas 23.34). Devemos ser pacientes como Jesus. Ele tolerou pacientemente as incompreensões dos discípulos até na última ceia. Pedro não queria se deixar lavar os pés e Filipe queria ver o Pai (João 13-14). Jesus suportou em amor porque tinha o propósito de ajudá-los a superar suas carências, pois o verdadeiro amor faz isso. Jesus apareceu para ajudar Tomé na sua incredulidade e a Pedro, que decidira voltar às mesmas redes que havia abandonado, imediatamente, quando fora chamado por Jesus (João 20.24-28; 21.1-17).

 

A terceira é o “comprometimento”, revelado no esforço pessoal (verso 3). Comprometimento significa a dedicação, responsabilidade e empenho total a uma tarefa, causa, projeto ou relacionamento. Jesus demonstrou um comprometimento total com a vontade de Deus Pai em suas intenções, palavras e ações ao longo de todo o seu ministério, culminando em sua obediência até a morte. O coração de Jesus estava comprometido com a vontade do Pai (João 4.34, 5.30, 6.38). Ele só praticava o que era da vontade do Pai (João 8.29, 14.31; Mateus 5.17) e até nos momentos mais difíceis ele se manteve comprometido (Lucas 22.42; Filipenses 2.8). Ele foi alguém completamente comprometido com a Palavra e o Plano de Deus (Hebreus 10.7; Mateus 26.39).

 

A igreja já foi comparada a uma caravana, daquelas dos filmes de faroeste americano. Várias carroças vão em fila na mesma direção, mas o comboio anda no ritmo da mais lenta. Quando uma quebra, todas param para ajudar e só depois seguir viagem juntos. A igreja é esse povo que está nesse processo contínuo de crescimento espiritual ruma à maturidade. Alguns em ritmo mais lento, mas todos em busca de viver de maneira digna da vocação a que fomos chamados.



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