Um só batismo

O batismo é o símbolo concreto e visível da realidade espiritual que experimentamos.
O batismo é associado pelo apóstolo Pedro ao Pacto de Noé e a preservação do julgamento. Nele, aquelas oito pessoas foram salvas do juízo de Deus, preservadas na arca em meio às águas do dilúvio. Da mesma forma, o batismo é um símbolo de que estamos envolvidos pela graça de Deus e seremos preservados do julgamento divino no futuro (1 Pedro 3.18-22).
O batismo é associado pelo apóstolo Paulo ao Pacto de Abraão e ao pertencimento a Deus. Nele, a morte é comparada à incircuncisão da carne, ou à completa alienação da graça de Deus. A circuncisão tinha um significado espiritual de pertencimento a Deus e lembra desta necessidade humana permanente. O batismo é o sinal externo que substitui a circuncisão e cumpre, visivelmente, naquele que se batiza a realidade espiritual de pertencimento a Deus. Logo, aquilo que a circuncisão era no pacto para Abraão, o batismo é para o crente cristão: um sinal de pertencimento. É um selo de pertencimento a Cristo e do despojamento da velha natureza humana caída e totalmente tendente ao pecado, conforme Efésios 1.13; Romanos 4.11, Colossenses 2.11-12.
O batismo também é associado ao Pacto em Moisés e uma nova vida de obediência. Nele, há várias prefigurações, como da Ceia do Senhor no beber da rocha, que é Jesus. Neste pacto, o povo que saiu do Egito foi batizado “na nuvem e no mar”. Ao passarem pelo mar, foram separados dos egípcios aos quais nunca mais veriam. Ao passarem pela nuvem foram separados para Deus. Neste caso, o batismo é um símbolo que aponta para trás, aos poderosos atos de Deus na salvação. Também é um símbolo que aponta à frente, para uma vida de fé obediente, já que os israelitas que saíram do Egito não foram fiéis e ficaram mortos pelo deserto. Eles anularam o símbolo com sua desobediência, pois não havia neles realidade espiritual para representar (1 Coríntios 10.1-5). O símbolo em si não tem sentido sem a realidade espiritual.
O Batismo nos Pactos é um símbolo da preservação do crente do julgamento de Deus e a transição do mesmo para o Reino de Deus. É um símbolo da entrada no desfrutamento dos poderes do novo século e da nova aliança no sangue de Cristo. É, também, um símbolo que aponta para uma vida de obediência.
O batismo é associado ao arrependimento por João Batista. As pessoas que iam a ele no deserto para serem batizadas, reconheciam que eram pecadoras e necessitadas de perdão, apesar de serem descendentes de Abraão (Mateus 3.1-6; Marcos 1.4, João 1.6-8, 29-34). Mas o próprio João Batista anunciou um batismo superior, operado por Jesus, um batismo “com o Espírito Santo e com fogo”. Isso se cumpre no Pentecostes, quando os discípulos de Jesus são empoderados para a vida de testemunho. O Espírito trabalha naqueles que ouvem, creem, são batizados e acrescidos à igreja local. Esses novos crentes são selados, ou marcados como pertencentes a Cristo. Eles são aqueles que se arrependeram de seus pecados, foram perdoados e empoderados para uma nova vida debaixo do senhorio de Cristo. Isso é representado visivelmente no símbolo do batismo (Atos 1.8, 2.38; Efésios 1.13-14).
Batizar, é uma transliteração do grego baptizo e significa mergulhar ou imergir. É um sinal de identificação e submissão do discípulo com seu Mestre Jesus. Jesus avaliza o símbolo ao submeter-se ao batismo e ao ordená-lo aos seus discípulos, o que passou a ser parte integrante da nova vida em Cristo, praticada na igreja primitiva (Mateus 3.13-17; 20.18-20; Atos 8.34-39).
Na igreja, o batismo é o símbolo concreto e visível da realidade espiritual que experimentamos. Representa a morte e ressurreição de Jesus Cristo, proclama a experiência de transformação constante na vida do crente e simboliza a bem-aventurada esperança da ressurreição do corpo (Romanos 6.1-10).
O Batismo, juntamente com a Ceia do Senhor, é um símbolo da Salvação. Só deve ser realizado por aqueles que experimentaram arrependimento de pecados e a fé em Jesus Cristo (Atos 2.38-41, 8.34-39). Ele é a representação concreta da realidade abstrata e subjetiva: o novo nascimento pela graça do Salvador Jesus.
Há um só batismo, porque há uma só fé em um só Senhor: Jesus Cristo.




