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Uma só esperança

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
22 de fev.
3 min de leitura

A igreja espera por uma eternidade infinitamente melhor do que o aqui e agora.

 

Fé e Esperança são dons distintos, mas inseparáveis e complementares. Eles são fundamento que mantém a igreja unida sob o senhorio de Cristo até a sua volta e ajudam a distinguir entre as expectativas circunstanciais e a esperança atemporal.

 

Quando o apóstolo Paulo escreveu aos filipenses, ele tinha a expectativa de continuar vivo e ser solto da prisão; mas também tinha a esperança de glorificar a Deus caso fosse morto. Por isso afirma “para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.18-26). Quando escreve a Timóteo, já não tem expectativa de ser liberto e pressente a própria morte, mas mantém viva a esperança de estar na eternidade com Cristo, o justo juiz (1 Tm 4.6-8). Verdade é que, o apóstolo Paulo afirma que devemos esperar uma eternidade inimaginável, da qual temos vislumbres pela revelação do Espírito Santo (1 Co 2.9-10; 2 Co 12.1-4).

 

A igreja espera uma “Glória Futura”. Em Romanos 8.23-24 o apóstolo Paulo afirma “nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. Pois nessa esperança fomos salvos”. Segundo Paulo, toda a realidade presente na qual vivemos, aguarda a libertação das condições às quais o pecado a sujeitou. Isso envolve a natureza, ou seja, todo o mundo criado, mas também a nossa própria vida, isto é, os seres criados e redimidos.

 

O termo redenção significa libertação e é uma metáfora do mercado de escravos do mundo antigo para descrever a obra salvífica de Jesus Cristo que veio nos libertar de uma situação de escravidão ou cativeiro ao pecado através do pagamento de um resgate. Redenção é um aspecto da Salvação que fala sobre a libertação no passado da penalidade do pecado, da libertação no presente do poder do pecado e da esperança da libertação definitiva, no futuro, da presença do pecado.

 

A igreja espera a “nossa adoção como filhos”. Em Efésios 2.11-22 o apóstolo Paulo afirma que antes “vocês estavam sem Cristo... sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz... pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular”. A igreja desfrutará “plenamente” da adoção, iniciada no sacrifício de Cristo, quando entrar na eternidade. 

 

A igreja espera a “redenção do nosso corpo”. Em 1 Coríntios 15, o apóstolo Paulo desenvolve o argumento de que não seremos plenamente livres enquanto houver a possibilidade da morte, pois a morte é o último inimigo a ser derrotado (verso 26). Por isso devemos esperar que Deus providencie que nosso corpo natural se transforme em corpo espiritual (versos 42-44). Devemos esperar que Deus faça com que a imagem de Adão, que recebemos por nascimento natural, seja substituída pela imagem de homem espiritual à semelhança de Cristo que recebemos ao nascer do Espírito (versos 44-49).  E devemos esperar que Deus revista nossa mortalidade de imortalidade assim como fez ao ressuscitar a Jesus (versos 50-53). Essa esperança é o motivador que impulsiona a igreja ao serviço diligente e amoroso (verso 58).

 

Por fim, a igreja espera pelo cumprimento da “promessa de Jesus”. No evangelho de João 14.1-4, Jesus planta esperança no coração dos discípulos. Diante do horror das horas que se aproximavam com Sua ausência por conta da prisão, julgamento e crucificação, Jesus conforta seus discípulos com promessas gloriosas. Ele afirma que o Pai tem uma casa ampla para acolher os seus discípulos. Que Ele irá adiante preparar lugar para eles e que voltará para buscá-los para que eles estejam para sempre com Ele. É uma metáfora do casamento. Naqueles tempos, após acertar os detalhes do casamento com o pai da noiva, o noivo retornava para suas terras a fim de construir uma casa para receber sua noiva ou futura esposa. Era um processo de quase um ano. Ao final, o noivo regressava, já com um séquito para tomar sua esposa para si. Por isso a igreja é chamada de noiva de Cristo (Apocalipse 19.7, 22.17; Efésios 5.25-27; 2 Coríntios 11.2).

 

Em todo tempo e em qualquer lugar, a igreja espera de Deus a vida eterna e as graças para merecê-la, confiando nas promessas de Cristo.

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