Saúde para a alma: o amor

O amor é saúde para a alma. É essencial para uma espiritualidade saudável.
Após usar os capítulos 1 a 11 do livro de Romanos para demonstrar como Deus usa sua misericórdia para alcançar toda a humanidade caída em seus pecados, Paulo conclui no capítulo 12 que devemos oferecer nossa vida como um sacrifício vivo, santo e agradável à Deus para podermos experimentar a sua boa, agradável e perfeita vontade para nossa vida. Em seguida, exemplifica como isso se dá na prática.
A saúde é o bem-estar bio-psico-social-espiritual. Sem equilíbrio é possível comer muito, mas não de forma saudável. Da mesma forma, é possível realizar atos religiosos sem valor espiritual. Jesus denuncia fariseus hipócritas que oravam, jejuavam e ofertavam para serem vistos pelos homens, sendo essa a sua única recompensa para seus atos religiosos: a admiração humana (Mt 6).
O amor é essencial se queremos que nossa espiritualidade seja saudável. Sem amor a existência até perde sentido enquanto, com amor, é possível operar transformações significativas em nosso ser. Disse um psiquiatra que três experiencias são capazes de operar mudanças no ser humano: a morte de alguém querido, o encontro de um grande amor e o nascimento de um filho. As três estão ligadas ao amor que nos lança para fora de nós mesmos.
Paulo apresenta o amor em sua concretude, tanto quando escreve aos crentes de Corinto (1 Co 13.4-8) como quando escreve aos crentes de Roma (Rm 12.9-11).
Ele destaca três características do amor:
A primeira é a sinceridade (Rm 12.9), pois o amor é muito forte para ser apenas da boca para fora, como ensina o apóstolo João (1 Jo 3.18). Significa que o amor deve ser “sim, sim; e, não, não” simplesmente. A sinceridade não permite espaço para a dubiedade e por isso é impossível a quem ama apegar-se ao que é mau (Rm 12.9), sendo o famoso amor bandido, uma distorção. O amor apega-se sinceramente ao que é bom, especialmente àquilo que provém e é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
A segunda é a dedicação (Rm 12.10), ou seja, a atitude de entrega e sacrifício com que decidimos fortalecer os laços fraternos e investir em comunhão na comunidade de fé a qual pertencemos e nos relacionamentos que desenvolvemos. Jesus falou sobre a possibilidade de termos um coração dividido, mas deixou claro que é uma ilusão que essa situação possa agradar a Deus (Mt 6.24). A dedicação demonstra claramente a quem estamos dirigindo nosso olhar e a quem estamos dedicando o nosso amor. O amor doa-se de maneira sacrificial à comunhão fraternal, especialmente com os irmãos na fé.
A terceira é o zelo (Rm 12.11). Zelo é sinal de fervor, da intencionalidade em manter algo aquecido. Revela a forte disposição, a diligência ou o empenho na realização de algo. Ser zeloso é ser cuidadoso com as ações que podem manter o amor vivo e belo, como quem cultiva uma planta ou como aquele casal que se cuida para estarem bem um com o outro. O amor se empenha intencionalmente a servir fervorosamente, especialmente ao Senhor.
O amor que mantém nossa espiritualidade saudável - longe de enganos farisaicos - é como aquela mãe que bem cedo, com seu filho ainda dormindo na cama, troca o pijama pelo uniforme e faz o trajeto até a escola carregando seu filho no colo enquanto ele ainda dorme em seu ombro. Faz isso, porque ela ama, apega-se ao que é bom para seu filho e dedica-se zelosamente a fazer sacrifícios pelo seu bem-estar.
Se nosso amor for sincero, dedicado e zeloso desenvolveremos uma espiritualidade saudável.




