Saúde para a alma: a humildade

Quando buscamos sentir e agir como Cristo encontramos vida abundante.
Para alcançar a vida abundante precisamos de humildade para reconhecer que a nossa maneira nem sempre é a melhor. Também precisamos de humildade para querer aprender a maneira certa. E precisamos de humildade para receber ajuda para realizar a maneira certa.
Quando colocamos nosso amor em Deus encontramos sentido para a vida, e à medida que somos capazes de “amar a Deus acima de tudo”, nosso amor se torna sincero, dedicado e zeloso. Quando colocamos nossa esperança em Cristo desfrutamos da Sua alegria em nós, e à medida que somos capazes de nos “alegrar na esperança” nos tornamos perseverantes, solidários, longânimos e maduros. E quando buscamos sentir e agir como Cristo encontramos vida abundante.
A humildade é a capacidade de pensar a respeito de si de modo equilibrado reconhecendo tanto os defeitos (vícios) quanto as virtudes, ou seja, nem se ensoberbecendo nem se desvalorizando. É assim que encontramos contentamento, unidade e equilíbrio em nós mesmos.
Jesus é nosso modelo de humildade. Ele respeitou a autoridade do Pai ao não dar spoiler aos discípulos que queriam saber quando o reino político seria restaurado à Israel (Atos 1.7), ou quando ensina aos sobre autoridade. Ele afirma a sua completa submissão aos desígnios do Pai enquanto em seu ministério terreno (Jo 5.19-43). O apóstolo Paulo registra um hino da igreja primitiva que exaltava Jesus por sua humildade e que nos ensina tanto a sermos humildes e os resultados desta humildade (Fp 2.1-11).
Através da humildade alcançamos contentamento, pois ela exige um vasculhar do coração e nos encaminha às fontes certas para as nossas motivações. Aprendemos a ser encorajados pela pessoa de Jesus e nosso amor a ser motivado pela história da salvação. Apendemos que nossa comunhão vem pela companhia direcionadora do Espírito Santo que conduz nossa afeição e compaixão (Fp 2.1-5).
Através da humildade alcançamos a unidade, pois somos desafiados a deixar de falar sobre “eu e meu” e a enxergar a realidade através do “nós e nosso”. Paulo fala sobre termos um mesmo modo de pensar como ele e Timóteo tinham (Fp 2.19-22). Eles pensavam do mesmo modo porque aprenderam a colocar Cristo acima de tudo, aprenderam a seguir o Seu exemplo em servir e sua mente aprendeu que tem um dono em seu coração a quem se submeter. (Fp 2.2). Por isso, os problemas doutrinários com aqueles que pregavam um falso evangelho com motivações fraudulentas (Fp 1.15-18; 3.1-3), ou os problemas relacionais, com irmãos que cooperavam com motivações erradas (Fp 4.2-3), pode ser tratada de maneira a manter a unidade pessoal e coletiva. Foi assim que a igreja em Jerusalém foi retratada como tendo uma só mente e um só coração (At 4.32).
Através da humildade alcançamos o equilíbrio, pois somos levados a buscar pensar nem mais nem menos do que verdadeiramente somos. Nem vaidade, nem falsa modéstia. A ambição egoísta e vaidade nos fazem lutar por preeminência. Ela nos adoece e escraviza à essa luta. Ao invés disso, somos despertados a perceber a necessidade do outro desafiados a priorizá-lo (Fp 2.3-4). Um bom exemplo é o samaritano que abriu mão de sua agenda e gastou do seu tempo e dinheiro para socorrer um necessitado (Lc 10.25-37). Considerar os outros superiores a si mesmo é perceber as necessidades do próximo e amá-lo como a nós mesmos (Mt 22.36-40).
Jesus é nosso modelo (Fp 2.5-11). Ele não se apegou às suas prerrogativas divinas, mas decidiu servir. Essa é a verdadeira humildade. Ele não apenas pensava equilibradamente a respeito de si, mas abriu mão de seus direitos (esvaziou-se) e decidiu servir (tornou-se semelhante aos homens) e foi obediente (motivações sãs).
Nossa sociedade hedonista, em nome do prazer e da felicidade, tem incentivado jovens a não querer casar ou ter filhos por causa do trabalho, do gasto, das preocupações e frustrações que provavelmente terão ao criá-los. Por conta disso, pessoas tem aberto mão de desfrutar experiências que a Bíblia chama de “bênção” de Deus como o casamento, a família e os filhos (Gn 2. 18, 23-25; Sl 127; 128), inclusive a experiência de viver um amor sacrificial.
Através da humildade somos chamados a não querer ser sábios aos nossos próprios olhos e servir uns aos outros colocando a necessidade alheia como prioridade. Isso é agir corretamente (Rm 12.16). Todo vestígio do mal deve ser evitado e a humildade é um remédio contra a maldade que quer se instalar em nosso coração (Fp 4.8-11).
Quando buscamos sentir e agir como Cristo encontramos vida abundante, e à medida que aprendemos a sentir e agir como Cristo recebemos contentamento, unidade e equilíbrio.




