Sardes

A Igreja precisa aprender a enxergar a sua realidade com os olhos de seu Senhor.
À igreja em Sardes Jesus se apresenta como aquele que tem tudo - os sete espíritos e as sete estrelas (Apocalipse 3.1-6). Afinal, dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11.36). Foi isso que a igreja aprendeu e cantou nos primeiros anos e que não deveria esquecer (Colossenses 1.15-20). Jesus controla tudo em suas mãos e dispõe do que a igreja precisa para ser um instrumento de seu poder. Por isso, o apóstolo Paulo afirma à igreja em Corinto que “não falta a vocês nenhum dom espiritual” (1 Coríntios 1.4-9), pois a graça de Deus perdoa e acolhe o pecador na salvação e o enriquece em tudo – palavra, conhecimento e poder. A graça de Deus também é operosa e fortalece e sustenta o pecador para a salvação e o mantém firme para ser irrepreensível até o final.
Jesus de tudo sabe, pois anda entre as estrelas, e é desta onisciência de Jesus que sai a dura exortação à igreja, ao afirmar “Sei de tudo que você faz. Você tem fama de estar vivo, mas está morto. Desperte! Fortaleça o pouco que resta, pois até mesmo isso está quase morto. Vejo que suas ações não atendem aos requisitos de meu Deus”. Sardes é uma igreja doente. A igreja precisa enfrentar inimigos externos e inimigos internos, mas há situações em que ela é seu próprio inimigo.
Em "Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz" C.S. Lewis retrata o Tio demônio, Maldanado, instruindo seu sobrinho, Vermelindo, sobre como afastar um ser humano do "Inimigo" (Deus) e levá-lo à perdição. A estratégia é manipular a atenção do ser humano para longe de Deus, fazendo-o focar sua atenção em si mesmo e no mundo material, direcionando-o aos seus desejos e sentimentos egoístas. Sardes perdeu a perspectiva divina e achava que estava viva por causa das coisas que fazia da perspectiva material.
Ao longo da história, a “Igreja-Estado” na Idade Média, exercia um poder significativo sobre os Estados europeus e influenciou leis, políticas e costumes. Mas essa conexão entre Igreja e Estado sempre foi perniciosa. A Igreja concentrou atenção e energias na luta pelo poder, ao invés de cumprir sua missão de glorificar e proclamar a Deus. A Igreja- Estado não é Sardes, mas é um exemplo de Sardes.
Em “Cidade de Deus”, Agostinho fala da comunidade dos justos que fazem a vontade de Deus, vivendo de acordo com seus valores espirituais e eternos, em contraste com a cidade dos homens, que é a sociedade terrena em busca de prazeres e poderes transitórios. Na realidade a igreja precisa ser a Cidade de Deus infiltrada na Cidade dos Homens a influenciá-la como sal da terra e luz do mundo. O próprio Jesus orou “Não peço que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno” (Mateus 5.13-16; João 17:15).
Jesus exorta sua igreja ao despertamento (versos 2-3). Desperte... Fortaleça... Lembre-se... Arrependa-se.
Lembre-se do que ouviu e no que acreditou no princípio e agarre-se... apegue-se ao Evangelho da Salvação pela graça! (Efésios 5.1-21).
Arrependa-se genuinamente. Tenha “Consciência do pecado” e lembre-se do que fez e porque e como chegou até ali. Experimente “Contrição pelo pecado”, verdadeira tristeza pelo pecado cometido. Apresente diante de Deus sua “Confissão do pecado” nominal, e concorde com Deus a respeito dele. Experimente “Conversão do pecado”, ou seja, uma mudança de atitude para melhor. Arrependimento (metanoia) é uma mudança da mente que leva à mudança de práticas.
Agarre-se com firmeza à vida proposta e oferecida por Deus. Busque verdadeiro avivamento espiritual. Um despertamento religioso que se manifesta na prática da fé fervorosa, no desejo de renovação espiritual constante movida pelo influxo do Espírito Santo para o arrependimento genuíno, com ênfase na palavra, na oração, na santidade e consagração, na evangelização e na promoção de transformações na sociedade, e especialmente na renovação da vida de adorador.
Embora a igreja em Sardes esteja doente e seja ela mesma o seu maior problema, Jesus – que tudo sabe – reconhece que “Há alguns em Sardes... que não mancharam suas roupas com o mal”. A estes Ele prometeu
vestir de branco em sinal de sua dignidade e garantir seu nome no livro da vida e a confirmação, diante do Pai, que eles lhe pertencem. As promessas são um combustível para a fidelidade. O Antigo Testamento afirma que Deus não é homem para mentir, e o Novo Testamento afirma que Jesus jamais será infiel (Números 23.19, 2 Tessalonicenses 3.3; 1 Timóteo 1.15-17; 2 Timóteo 2.10-13; Hebreus 3.2-6).
Nós também precisamos aprender a nos enxergar com os olhos do Senhor Jesus Cristo.




