Pérgamo

A Igreja precisa ser uma expressão do seu Senhor.
Os defeitos e virtudes das igrejas do Apocalipse podem ocorrer em qualquer igreja de qualquer lugar e em qualquer tempo, afinal ela é formada por pessoas falhas. Apesar dos problemas, João não desiste das igrejas que o próprio Jesus não desiste. Diante das falhas e problemas de sua igreja, Jesus se interessa pelo triunfo de cada uma delas individualmente.
Cada igreja é o que é, e Jesus conhece as igrejas entre a quais caminha e às quais sustenta. À igreja com grande desafio, Jesus anima. À igreja em sofrimento, Jesus consola. À igreja em erro, Jesus chama ao arrependimento.
A igreja de Jesus em Pérgamo estava fincada num ambiente pernicioso, de muita idolatria e resistência à sua mensagem e valores (Apocalipse 2.11-17). Pérgamo era a principal cidade daquela região e onde havia um templo erigido ao culto ao imperador romano. Havia também outros templos erigidos a outras divindades do panteão grego e romano e, havia naquela cidade, o que alguns estudiosos costumam chamar de concentração das trevas.
A convivência prolongada com este ambiente hostil, no entanto, parece ter tido um efeito de amortecimento na consciência e no discernimento daquela igreja, de tal maneira que Jesus aponta três questões que precisam ser tratadas.
O Trono de Satanás. É uma expressão que nos remete à compreensão de que, apesar de haver templos feitos de pedras e argamassa a muitos outros ídolos, o verdadeiro trono de Satanás ocorre no coração daquele que cede à sua vontade e lhe presta adoração desta forma. Esse ambiente não pode servir de justificativa ou tolerância para algum tipo de infidelidade. A igreja precisa estar alerta e manter-se fiel tendo como exemplos o Apóstolo João, que estava exilado por insistir em pregar o evangelho, e como Antipas, um mártir que foi morto por sua fidelidade.
Balaão. Ele foi um profeta que foi contratado por Balaque para lançar feitiços e maldições contra o povo de Israel. Apesar de não conseguir realizar este grande e terrível mal contra o povo de Israel, Balaão abriu caminho para que Israel se casasse com mulheres estrangeiras e adorasse seus ídolos, pecando contra o Senhor (Números 22.1-25.1). O mau é sempre mau, não importa se parece maior ou menor, e não deve ser tolerado.
Os nicolaítas. Era um grupo de pessoas que ensinavam heresias entre o povo de Deus. Seus ensinos eram caracterizados pela libertinagem que permitia a participação nos alimentos sacrificados aos ídolos e levava à imoralidade, à prostituição e à idolatria dos cultos pagãos tão comuns naquela sociedade. Jesus repreende a igreja porque tolera essas pessoas e seus ensinos heréticos em seu meio.
Jesus chama a igreja ao arrependimento, pois a tolerância, nestes casos, é pecado. O que Jesus afirma sobre a sua igreja, o seu veredicto e a sua exortação são a verdade expressa na espada afiada de dois fios que sai da sua boca. A verdade é o que pode libertar a igreja desta tolerância perniciosa que a adoece. A verdade é o alimento que a sustenta e onde ela encontra energias em suas promessas (versos 12, 16-17).
Alguém disse que aquilo que você tolera, te transforma. Neste sentido, o mau que a igreja tolera, a desfigura. Isso é tão sério que é possível chegar ao ponto de seu candelabro ser tirado do seu lugar. Por isso a promessa de um novo nome, que é a promessa de redimir todas as suas fraquezas e fragmentações e que, por fim, trará restauração plena (Apocalipse 2.5, 17).
Nós também precisamos deixar de tolerar tudo aquilo que não expressa a presença do Senhor em nós.




