Esmirna

A Igreja precisa confiar plenamente em Jesus, o noivo que a ama verdadeiramente.
Jesus se apresenta a esta igreja como aquele que vive e conhece todas as coisas. Ele experimentou a morte, mas Ele a venceu. Ele é o primeiro e o último, isto é, aquele que vive e conhece todas as coisas antes, durante e depois (Apocalipse 2.8-11).
Jesus conhece a história da sua igreja. Por isso afirma que “Conheço as suas tribulações e a sua pobreza, mas você é rico!” A história do povo de Deus é marcada por tribulações que Jesus conhece bem. Ele sabe o seu tempo e a sua duração, por isso afirma o que a igreja está prestes a sofrer e que serão dez dias. Por um lado, há a notícia sobre a tribulação inevitável; por outro, Jesus conforta a sua igreja ao afirmar que conhece seu sofrimento e que ele, enfim, terminará. Jesus caminha por entre as igrejas (candelabros) e conhece a história particular que cada uma enfrenta e escreve. Apesar do sofrimento, aquela igreja é rica, pois tem a companhia do seu Senhor e a esperança do triunfo final sobre todas as suas provações (versos 9-10).
O que a igreja está “prestes a sofrer” são sofrimentos que o Senhor da Igreja conhece por experiência própria. A respeito de Jesus foi profetizado que Ele seria “desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento” (Isaías 53.3). Seu sofrimento foi por um período determinado até que a vontade do Pai fosse realizada.
A igreja fiel enfrentará a tribulação. A tribulação é um período de grande sofrimento em que situações perturbadoras geram o sentimento de angustia e desassossego. Jesus alerta que a pobreza, a blasfêmia, a oposição e o culto a Satanás estarão no caminho da igreja (verso 9).
Jesus conhece os sofrimentos da igreja. Por isso afirma: “conheço a blasfêmia dos que se dizem judeus e não são; no entanto, são sinagoga de Satanás”.
É incrível que dentro da própria igreja haja a ação de Satanás. Não se trata de um templo físico de pedras e argamassa, mas de corações onde o inimigo encontra guarida e devoção e, aos quais, usa como instrumentos seus.
Jesus adverte as igrejas de Esmirna e Filadélfia a respeito da “Sinagoga de Satanás”, mas isso não foi algo restrito à essas duas igrejas (Apocalipse 2.9, 3.9). No primeiro século do Cristianismo, já haviam os “judaizantes”, grupos ou indivíduos que se diziam seguidores de Deus e judeus devotos, mas trabalharam contra a igreja e o Evangelho. Por isso Jesus diz "se dizem judeus, e não o são, mas mentem". É um alerta sobre a falsidade e a ação do mal disfarçada. É uma metáfora para quem se apresenta como seguidor de Deus com aparência de santidade e religiosidade para enganar e confundir os fiéis, promovendo perseguição e oposição aos verdadeiros cristãos.
Aos Gálatas Paulo afirma “que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo” (Gálatas 1.6-7). Essas “pessoas” ensinavam que era necessário cumprir uma série de ritos do Judaísmo como, guardar o sábado, circuncidar-se e abster-se de alguns alimentos e afirmavam que a obra de Cristo não era suficiente e, assim, se opunham à graça de Deus.
Aos Filipenses Paulo adverte “Cuidado com os cães” (Filipenses 3.2-3). Esses “cães” que praticam o mal eram pessoas que espalhavam que a obra de Cristo na cruz e a fé nela, não era suficiente para nos perdoar pecados, nos inocentar de toda acusação e nos justificar diante de Deus. Que blasfêmia!
O Apóstolo João testemunha que “o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, isto proclamamos a respeito da Palavra da vida” (1 João 1.1), porque havia pessoas que negavam a encarnação de Deus em Jesus. Por isso ele afirma que ouviu, viu e tocou em um homem de carne e osso que era a própria Palavra da vida.
Essas pessoas, aparentemente religiosas, foram instrumentos de Satanás ao negar o Evangelho, causar dor e sofrimento, oposição e tribulação à igreja de Jesus.
Jesus diz à sua igreja “não tenha medo”. Essa expressão ocorre 365 vezes na Bíblia. Aqui, lembra que Jesus promete que, ainda que tenhamos que morrer por causa da perseguição, jamais sofreremos a segunda morte, isto é, ficar afastado de Deus pela eternidade. Antes, receberemos a vida eterna como prêmio.
Nós precisamos confiar plenamente em Jesus, como Esmirna precisou.




