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Perdoe

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
22 de set. de 2024
3 min de leitura

Perdoe, pois o perdão é o caminho para a cura!

 

Na história de José do Egito, há uma libertação no momento em que ele se revela a seus irmãos e, os perdoa em meio ao choro que estava engasgado em seu coração. Se ele não tivesse perdoado seria corroído pelas maquinações de como se vingar de seus irmãos; o perdão, porém, criou uma nova realidade na vida de todos eles. Por isso, é possível afirmar que sem a experiência de perdoar, ficamos escravizados pelas circunstâncias da nossa história de vida. Se José não perdoasse viveria angustiado e, seu choro retido é a prova da luta que era travada em seu coração (Gn 45.1-15).

 

O perdão libera o coração da angustia. Desde cedo José deve ter experimentado o desprezo de seus irmãos por ser o filho preferido da mulher preferida de Jacó e, por receber manifestações públicas desta preferência, além de seus dons especiais (Gn 37.1-11). Esse desprezo chega ao ponto de seus irmãos quererem matá-lo e, por força das circunstâncias e da resistência de seu irmão Rubem, resolverem vendê-lo como um escravo aos 17 anos. Passa-se pelo menos uma década até que ele assuma a liderança do Egito quando já teria mais ou menos 30 anos. Somente após sete anos de fatura e mais dois de escassez - por volta de seus 39 ou 40 anos - é que finalmente consegue rever seu pai e seu irmão.

 

Foram 20 anos em que José deve ter sido dominado pela ideia do perdão como uma condicionalidade de trocas, como reciprocidade e até como equidade, mas não como manifestação de amor e graça. As ideias e expectativas parciais de perdão, podem nos levar a angústia.

 

O choro retido do coração angustiado de José é uma reação no corpo que expressa seus sentimentos. Chorar é uma forma de acalentar o coração e uma solução terapêutica para externar o que se sente.

 

O sucesso de José no Egito não o fez esquecer seu sofrimento. Seus filhos, nascidos quando ele já era o segundo homem em poder no Egito, recebem nomes que não o deixam esquecer a sua história de sofrimento. “Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer de todo o meu sofrimento e de toda a casa do meu pai”. Ao segundo filho, chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez crescer na terra onde tenho sofrido” (Gn 41.41-52).

 

Seus irmãos sofreram durante 20 anos a angustia de carregar a culpa, além de saber que prestariam conta de seus atos e da mentira que criaram (Gn 42.21-23, 44.16). José chorou ao ter consciência da realidade da angustia de seus irmãos (Gn 42.24). José chorou ao ver seu irmão Benjamim pela primeira vez (Gn 43.30) e, chorou copiosamente quando já não podia se conter de liberar o perdão a seus irmãos (Gn 45.1-2). José chorou longamente ao abraçar seu pai (Gn 46.28-30) e, chorou a maldade e astúcia de seus irmãos após a morte de seu pai (Gn 50.15-17). Esse é o choro de um coração que é liberto da sua angustia.

 

Esse choro produzido no perdão trouxe de volta os amores do coração. Ao perdoar, José teve seu pai de volta - que não sabia se estava vivo e sua principal preocupação (Gn 45.3) -, pois o queria perto de si para dele cuidar e lhe prestar a honra devida (Gn 45.9-13). José teve seu irmão querido de volta (Gn 45.14) e, finalmente, José teve seus irmãos de volta (Gn 45.5) com toda a sua família (Gn 46.26-27).

 

Pode ser difícil pensar em enfrentar tamanho sofrimento e ainda perdoar incondicionalmente, mas é esta experiência que é libertadora. Tanto quando recebemos perdão como quando perdoamos, somos libertos conforme o ensino bíblico (Mt 6.12).

 

José é um tipo de Cristo. Em Cristo temos perdão incondicional, mesmo sendo pecadores (Rm 5.8). Jesus Cristo sabe o que o nosso pecado produziu em nós e, mesmo assim tem amor abundante para nos sustentar. Até mesmo diante de nossas recaídas, Jesus Cristo jamais nos abandona!



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