Entregue

A renúncia é o caminho para vida abundante!
Enquanto Jesus multiplicava pães e peixes e realizava muitos milagres, grandes multidões o seguiam (Mc 8.1-9). Mas, ao proclamar o propósito de sua missão no mundo, Jesus desperta indiferença, indignação e revolta em alguns, mas também, clareza e paz no coração de outros (Mc 8.31-9.1).
Isto ocorre porque a proclamação de Jesus tem um “ensino necessário”, ou seja, a proclamação de seu sofrimento e morte na cruz (31-32a). É uma mensagem que vai de encontro às expectativas erradas do ser humano; e enquanto não renunciamos a essas expectativas erradas, ficamos presos a elas e não somos libertos para desfrutar da vida abundante que o Espírito Santo quer proporcionar.
A salvação é uma redenção, isto é, uma libertação mediante troca ou pagamento. Pela morte e ressurreição de Jesus fomos libertos da pena do pecado mediante a justificação e regeneração (Jo 3.3, Rm 6.3, Tt 3.5-7). Pela morte e ressurreição de Jesus estamos sendo libertos do poder do pecado mediante a santificação (Fl 2.12-13, 2 Ts 2.13). Pela morte e ressurreição de Jesus seremos libertos da presença do pecado mediante a glorificação (1 Pe 1.5). A redenção inclui os privilégios de receber o perdão dos pecados (Ef 1.7), a justiça de Cristo (Rm 5.17) e a vida eterna (Ap 5.9-10).
“É importante ter em mente que os três aspectos mencionados são partes integrantes da experiência da salvação. Você foi salvo quando creu em Jesus. Ao dedicar sua vida a Cristo, você está se santificando diariamente. E, finalmente, entrará na posse da plena salvação quando estiver na presença de Deus”
Na Bíblia, portanto, a redenção é o ato de libertação do pecado e a expiação de Jesus Cristo. Redenção é o que Deus realizou por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele removeu os obstáculos entre Deus e os homens; ofereceu a participação na vida de Deus, redimiu a humanidade da morte física, redimiu os homens da morte espiritual por meio da fé e do arrependimento e finalmente outorgou a vitória sobre a morte pela promessa da ressurreição para a imortalidade. Pensar nas coisas de Deus é compreender, aceitar e buscar a redenção por Ele operada.
A resistência humana a essa verdade se evidencia na resistência de Pedro. Jesus denuncia essa resistência como sendo a influência diabólica no raciocínio humano (32-33). A resistência revela a autojustificação ególatra que pondera: o homem é bom e não deve sofrer. Jesus é um homem, logo, Jesus não deve sofrer (35-36). É esse raciocínio que leva Pedro a dizer à Jesus que Deus terá misericórdia dele e não lhe imporá a terrível e humilhante morte de cruz. Pensar nas “coisas dos homens” (35-36) é a autojustificação ególatra que transfere esse raciocínio a todo ser humano, procurando negar que ele precisa da redenção.
A lógica bíblica, pelo contrário, diz que “todos pecaram” (Rm 3.23). Isto quer dizer que pensar as coisas de Deus é considerar que todo ser humano é pecador; que o pecador está perdido; logo, todo ser humano está perdido. A Bíblia quer nos ensinar a pensar nas coisas de Deus e agir a partir delas.
Quem pretende seguir a Jesus precisa compreender sua exigência de negar-se a si, isto é, negar ao ego a pretensão de dirigir a vida a partir de suas impressões. Precisa compreender que tomar a cruz é abraçar o projeto de Jesus e andar lado a lado com Ele na mesma direção e ritmo. Precisa compreender que é necessário fazer dele nosso Senhor e matar assim as pretensões do nosso Eu (34).
Entregue a direção da sua vida a Jesus e experimente uma vida abundante na sua companhia (Gl 2.20).




