O coração centrado e obediente

O coração centrado e obediente é vitorioso!
Quando a Bíblia usa o termo coração está se referindo à vida interior do ser humano com toda a sua riqueza. A Bíblia enxerga o ser bio-psico-social-espiritual da modernidade como um ser uno. Ela já indicava o seu Eu mais profundo - o seu ego. O ser humano, feito do pó da terra e no qual Deus soprou o seu espírito (ruah) se tornou uma alma vivente (nephesh) ou um ser que vive. O ser humano é constituído desses dois aspectos – material e imaterial – indivisíveis. Portanto, coração se refere à pessoa em toda a sua inteireza.
Há pelo menos três situações em que nosso coração necessita estar centrado e obediente.
No deserto da tentação (Mateus 4.1-11). A Bíblia não foca no conceito moderno de tentação como uma sedução maliciosa, mas como um teste ou uma prova que tem o propósito benevolente de melhorar nossa qualidade. Já o inimigo, esse sim, quer nos mostrar nossa fraqueza e nos levar a cair na armadilha de fazer uma má ação.
Os homens testam seus semelhantes como os religiosos testaram a Cristo (Marcos 11.27-30, 12.25, Lucas 10.25). Os homens testam a si mesmos como somos exortados a fazer (1 Coríntios 11.28, 2 Coríntios 13.5). Os homens testam a Deus numa atitude de irreverência extrema, como Israel fez em Massa, quando deveria esperar confiada e pacientemente no Senhor e no seu tempo de agir (Êxodo 17.7; Deuteronômio 6.16).
Deus também testa seu povo a fim de revelar a qualidade da sua fé e devoção para que o povo perceba o que está em seu coração (Salmos 66.10; Tiago 1.2-3; Romanos 5.3-5). Satanás também testa o povo de Deus nos limites permitidos por Deus, mas com o propósito de abandonarem a vontade de Deus. Por isso ele é chamado de tentador: um adversário implacável de Deus que procura esmagar os homens com o peso da dor e das dificuldades (1 Pedro 5.8, Apocalipse 12; Jó 1.11-2.7; Gálatas 6.1).
A tentação não é pecado, pois Cristo foi tentado em tudo como nós, mas permaneceu impecável (Hebreus 4.15; Mateus 4.1-11).
O deserto da tentação revela a nossa humanidade. A tentação é um teste na solidão, pois ela é enfrentada sozinho. O deserto é uma região estéril caracterizada pela escassez extrema de chuvas, alimento, abrigo e pessoas, onde só vidas altamente adaptadas conseguem sobreviver. Mas foi no deserto da tentação que o coração centrado e obediente de Cristo, venceu a tentação da dimensão física, na dimensão emocional e na dimensão espiritual. Ele não usou seu poder pra saciar suas próprias necessidades, não fez provas tolas com seu Deus e não cedeu seu coração ao inimigo. Só um coração centrado e obediente vence a tentação.
O jardim da aflição revela nossa fragilidade. No Getsêmani (Mateus 25.36-46), Cristo ficou aflito ou angustiado diante da proximidade da cruz. O jardim é um espaço planejado onde se cultivam flores, plantas e árvores para a recreação e contemplação e, apesar de Cristo estar neste ambiente preparado, seu coração estava em desassossego. O ambiente é lindo e propício para a contemplação, mas nós estamos num tremendo desconforto interior. A razão (seja feita a tua vontade) e o sentimento (passa de mim este cálice) estão em descompasso. Mas é no jardim da aflição, que o coração centrado e obediente de Cristo opta por orar e derramar diante de Deus a sua angustia. Opta por controlar suas emoções, pois diz “não como eu quero, mas como tu queres” e, finalmente, opta por obedecer a vontade de Deus. Só um coração centrado e obediente opta por enfrentar a aflição.
As estradas da Missão revelam nosso compromisso (João 4.34). Missão é o propósito, encargo ou incumbência específica que Deus nos conferiu. Jesus sabia que sua missão era alcançar a todos com a mensagem do Evangelho, isto é, proclamar “Eu sou a água da vida”.
A multidão não confiável tentou desviá-lo deste propósito. Uma hora quis segui-lo e fazê-lo rei, para em seguida apedrejá-lo e pedir sua morte. A voz do povo, não é a voz de Deus. (João 6.1-2, 14-15, 8.57-59, 10.30-32, 19.14-16). Os religiosos maldosos procuraram desvirtuar sua missão pedindo milagres (Mateus 12.38-40, 16.1-4) e o diabo quis iludi-lo com suas tentações mentirosas, pois os atalhos que ele ofereceu nunca levariam Jesus à vontade de Deus. Só um coração centrado e obediente é capaz de cumprir a missão conforme a vontade do Pai.
O coração centrado e obediente de Jesus estava centrado na missão que Deus lhe deu a realizar e foi obediente aos comandos de Deus. Por isso venceu a tentação no deserto, enfrentou a aflição no jardim e realizou a missão na estrada.




