Chamar, Separar e Enviar

O Espírito Santo de Deus escolhe, chama, trata, separa e envia seus obreiros.
O chamado para o ministério é uma decisão da soberania de Deus e não está baseada nos méritos do homem, pois Deus chama de acordo com seus critérios. Os chamados podem parecer bons ou maus aos olhos humanos, mas Deus usa seus próprios critérios.
Na escolha de Davi, Deus orienta a Samuel “Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei [referindo-se ao irmão de Davi]. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1 Samuel 16.7). Na escolha de Jeremias Deus afirma que sua escolha foi anterior até à própria existência do profeta. Ele afirma “Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações” e incentiva Jeremias a ser fiel e perseverante (Jeremias 1.5-10). Assim, no momento do chamado público já havia uma escolha de Deus baseada em seus próprios critérios, desígnios e vontade.
O Espírito escolhe e chama. O chamado é uma experiência particular e pessoal e antecede ao anúncio púbico como aconteceu na igreja de Antioquia da Síria, quando o Espírito Santo de Deus chamou Barnabé e Saulo (Atos 13.1-3).
Barnabé parecia perfeito para ser chamado. Ele era um bom crente que encarnou sua fé ao vender uma propriedade e doá-la à igreja para socorrer os necessitados (Atos 4.36-37). Ele protegeu e foi defensor de Saulo, quando este era novo na fé e no início da vida cristã (Atos 9.26-27). Todos também reconheciam que Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé (Atos 11.24), e também um líder confiável para a igreja (Atos 11.22, Gálatas 2.1,9). Mas Barnabé também não era perfeito (Gálatas 2.13). Não foi por suas qualidades que ele foi escolhido, nem tão pouco rejeitado por seus defeitos.
Já Saulo parecia inadequado para ser chamado. Ele demonstra que tinha muitos motivos para ser orgulhoso (Filipenses 3.3-6). Ele tinha uma origem privilegiada e uma formação acima da média. Era de Tarso, na Cilícia, e tinha cidadania romana (Atos 22.25-28). Era judeu, da tribo de Benjamim, e fariseu - a seita mais severa no Judaísmo (Atos 26.6, Romanos 11.1). Além disso estudou em Jerusalém aos pés de Gamaliel, um dos mais respeitados mestres da Lei daquela época (Atos 22.3). Além desses predicados pessoais, Saulo tinha em seu currículo – ou em sua ficha pregressa??? - o fato de ter sido perseguidor da igreja. A primeira vez que é mencionado é para informar que ele estava assolando a igreja e consentindo na morte de Estevão (Atos 7.58, Atos 8.1-3). Depois, que ele respirava morte e estava numa perseguição furiosa aos cristãos tanto em Jerusalém quanto em Damasco (Atos 9.1-3; 26.9-11). É por isso que esses cristãos ficaram receosos e perplexos quando este Saulo aparece pregando a fé que estava perseguindo, logo após ter tido um encontro com Jesus ressurreto (Atos 9.13-14, 19-27).
O Espírito escolhe, chama e trata os que chama. Os três dias que Saulo permaneceu cego e em jejum demonstraram que o Jesus que apareceu no caminho de Damasco era poderoso para vencer a morte, tocar e curar seu físico, aparecer e falar com outros servos como Ananias e dar-lhe seu Espírito e uma missão (Atos 9.9,11-19). Jesus tratou de Saulo, mostrou-lhe quanto competia sofrer até para curá-lo do sofrimento que causou e não podia reparar. Saulo se converteu por volta de 31-32 dC, e depois das perseguições e ameaças de morte em Damasco e Jerusalém ele parte para Tarso por volta de 36 dC onde permanece até 43 dC quando, finalmente, é levado por Barnabé para Antioquia, onde trabalham por um ano e por volta de 45 dC o Espírito fala a igreja para separá-los. Esses cerca de 13 anos entre a conversão e a chamada pública foram anos em que o Espírito Santo iniciou a transformação de Saulo em Paulo, reorganizando sua teologia e organizando seus sentimentos, motivações, convicções e compromisso com o Senhor ressurreto.
O Espírito escolhe, chama, trata e envia os que chama, e faz isso através da igreja local. A igreja é a Comunidade do Espírito porque é uma comunidade que busca sensibilidade, obediência e compromisso em ouvir a voz do Espírito sobre quem Ele tem chamado e está tratando e preparando para Sua obra. O chamado é um chamado da pessoa integral e, por isso, o Espírito Santo atua para ressignificar a história pregressa e promover a cura das feridas emocionais, a fim de que aquele que foi chamado seja útil nos Seus projetos (2 Coríntios 12.1-10; 1 Timóteo 1.12-17). O Espírito Santo usa a liderança espiritual da igreja – profetas e mestres – e o ambiente de adoração e jejum para dar discernimento sobre Sua vontade para que a igreja comissione e revista de autoridade e poder aqueles que vão em nome do Senhor da Igreja (Atos 13.1-3).
O Espírito de Cristo age através do Corpo de Cristo. Por isso a igreja é uma comunidade carismática, não prioritariamente porque aconteçam coisas estranhas em seu meio, mas porque busca ouvir, entender e obedecer à voz do Espírito de Cristo.




