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O coração arrependido e grato

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
26 de jul.
4 min de leitura

 

O coração arrependido e grato é que serve a Deus verdadeiramente.

 

Arrependimento e gratidão são experiências básicas do discípulo de Jesus. Sua motivação baseia-se no senso de amor e gratidão por tudo que Jesus é e fez a seu favor. O cristão sabe a gravidade do seu pecado e do perigo de que foi salvo pelo Deus de toda a graça.

 

O Apóstolo Paulo é um exemplo de um coração arrependido e grato motivado a servir a partir do seu encontro com Jesus e deve ser visto por dois vieses: como um ato e como um processo.

 

É um ato porque foi imediato no encontro de Saulo com Jesus. Quando, no caminho de Damasco, ele diz “quem és tu, Senhor?” (grego: Kúrios), não é um pronome de tratamento, pois a experiencia inteira é contrária a essa suposição. De joelhos e cego, Saulo rendeu-se inteira e definitivamente a Jesus como seu Senhor. Foi a gota d’água que faltava para que o copo do arrependimento transbordasse (Atos 9.1-5).

 

É um processo porque se desenvolveu na trajetória de Saulo. Saulo ouviu o discurso de Estevão e sua declaração “vejo os céus abertos e o Filho do Homem à direita do Trono de Deus” que fez com que seus ouvintes tapassem os ouvidos e se lançassem contra ele com fúria para mata-lo. O próprio Paulo dá testemunho que encarcerava pessoas e exigia que blasfemassem contra Jesus. Quantos preferiram ir presos ou morrer como Estevão? Poderiam ter tido a mesma visão? Verdade é que cada testemunho de fidelidade a Jesus era o Espírito Santo provocando a mente de Saulo até sua rendição completa (Atos 7.1-8.1, 26.9-11).

 

As palavras de Paulo a Timóteo evidenciam todo processo de arrependimento. Ele demonstra que tem consciência do perigo que correu e da graça que o alcançou ao afirmar "alcancei misericórdia". Ele demonstra contrição ao lamentar "fui blasfemo, perseguidor e insolente" e essa consciência do mal praticado o faz firme na decisão de não mais voltar as antigas práticas. Sua confissão sou “o pior dos pecadores" ou o principal, revela que o pecado confessado foi tratado com particularidade diante de Deus. Sua conversão do pecado ao afirmar que foi “ignorante e incrédulo”, mas que agora é um exemplo de como a graça opera naquele que crer para a vida eterna. Sua história atesta que ele, de fato, assumiu a pregação do Evangelho, passando de perseguidor a perseguido e abandonando tudo que entendia importante, como esterco, para ganhar a Cristo (1 Timóteo 1.12-20, Atos 9, Filipenses 3.3-11).

 

Esse é o arrependimento genuíno que move corações a servir a Deus com gratidão. Por isso Paulo usa a expressão "graças a Deus" ou "dou graças a Deus" reconhecendo benefícios, vitórias e livramentos imerecidos dados por pura graça e sem mérito humano algum. Ele dá graças

 

Pela vitória sobre o pecado e a morte. Paulo expressa a angústia da luta interna contra a natureza pecaminosa e clama por libertação, pois às vezes acaba fazendo o mal que não quer. Mas em extrema gratidão ele exclama "Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!" por sua vitória sobre a condenação. Somos gratos por esse benefício exclusivo do sacrifício de Cristo, recebido sem qualquer mérito pessoal (Romanos 7:24-25).

 

Pelo triunfo e a propagação do Evangelho. Paulo declara: "Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento". Paulo entende que é um privilégio ser usado por Deus para espalhar o Evangelho que é a mensagem do favor imerecido que Ele concede aos Seus servos. Ser instrumento de Deus para levar alguém à salvação, deve encher nosso coração de alegria e gratidão (2 Coríntios 2.14).

 

Pela disposição generosa de Tito. Diante da necessidade de organizar uma coleta para os cristãos necessitados, Paulo dá "Graças a Deus, que pôs no coração de Tito a mesma dedicação que temos por vocês". A capacidade e a disposição de servir ao próximo são vistas por Paulo como uma obra e um benefício originados exclusivamente no coração por Deus que é quem move corações. Ser um instrumento de Deus para realizar sua vontade e abençoar outras pessoas é gratificante (2 Coríntios 8.16).

 

Pelo Dom da Salvação. Ao encerrar o assunto sobre a generosidade e a graça, Paulo transborda em gratidão: "Graças a Deus pelo seu dom inefável!" A palavra inefável descreve algo tão grandioso, belo ou intenso que as palavras humanas são insuficientes para explicar. Paulo afirma que o próprio Jesus Cristo e a salvação da humanidade são o "dom inefável" e a maior expressão de um benefício imerecido. O fato de Deus ter dado Jesus e a salvação de graça é motivo da maior alegria na vida do cristão (2 Coríntios 9:15).

 

Pelo Dom do Chamado. Ao fim da sua carreira, Paulo diz "Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério". A "força" para atender e permanecer fiel no ministério é um dom que superabundou onde o pecado descrito por Paulo abundou. Ser chamado e receber forças no ministério é um motivo de grande alegria diante de nossas limitações (1 Timóteo 1.12).

 

Um coração arrependido teve uma experiência de conversão genuína, um encontro transformador de abandono do pecado para uma nova vida de compromisso, gratidão e serviço. É esse coração arrependido e grato que serve a Deus verdadeiramente.

 
 
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