A cruz de Cristo

Cristo morreu na cruz porque decidiu se entregar para nos salvar.
Parece que podemos concluir que Jesus foi julgado e condenado por sedição contra o Império Romano ou por blasfêmia contra a religião judaica. Por isso, é importante considerar o que os evangelistas registraram sobre a morte de Jesus e as personagens que participaram do evento.
Os soldados romanos parecem ser apenas executores de mais uma ordem. É dito que sendo Jesus entregue a eles, eles o crucificaram (Marcos 15.24). Pouco se fala a respeito do martelo, dos pregos, do sangue, da dor e do processo. O costume romano era fazer o condenado carregar a própria cruz e, já crucificado e como gesto de misericórdia, receberia vinho misturado com mirra para atenuar a dor, que Jesus recusou-se a beber. Antes, no Pretório – residência do Governador – os soldados zombaram dele, vestiram-lhe um manto púrpura, colocaram um coroa de espinhos, deram um caniço como cetro, vendaram seus olhos, cuspiram e bateram em sua face e deram-lhe na cabeça e o desafiaram a dizer quem lhe bateu. Ajoelharam-se diante dele em zombaria e dividiram suas vestes.
Pilatos, governador da Judeia (26-36aC), que entregou Jesus para os soldados crucificarem, tinha fama de hábil administrador, mas era odiado pelos judeus por suas provocações. Era “um homem de disposição inflexível, e muito cruel e obstinado” em manter a ordem e a lei. Conhecia da alma humana e estava convicto da inocência de Jesus afirmando três vezes que não via culpa nele. Mesmo assim, procurou evitar sua responsabilidade enviando-o para Herodes. Depois quis castigá-lo e soltá-lo e, depois ainda, buscou aval da multidão para soltá-lo e, por fim, lavou suas mãos como gesto de inocência (Lucas 13.1; 23.5-25; João 19.12). Pilatos foi covarde e dividido. Cedeu à pressão por conveniência a fim de manter suas benesses.
O povo e seus sacerdotes entregaram Jesus a Pilatos. Acusaram-no de fazer reivindicações absurdas, de ensino subversivo e atiçaram a multidão a exigir sua crucificação. Jesus disse à Pilatos que foi entregue por eles – o sumo sacerdote Caifás e o povo – e Pedro depois reafirma diante do Sinédrio esse entendimento (João 19.10-11; Atos 3.12-15). O mesmo povo que recebeu Jesus montado num jumentinho cantando “Hosana ao que vem em nome do Senhor”, gritou dias depois “crucifica-o”.
Os sacerdotes acusaram Jesus de ser um Rabi sem credenciais, de ter um comportamento provocante ao confraterniza-se com gente de má fama com quem festejava ao invés de jejuar, profanava o sábado com curas, desrespeitava as tradições dos anciãos e criticava duramente a religiosidade que exaltava a tradição ao invés das Escrituras, se importava mais com as regras do que com as pessoas, dava mais valor à purificação cerimonial do que à pureza moral e que focava mais na Lei do que no amor. Por fim, ele os chamou de guias cegos, hipócritas e sepulcros caiados (Mateus 23.27). Jesus foi acusado de blasfemar ao afirmar ser o Senhor do sábado, que conhecia a Deus como seu Pai e que era igual a Deus (João 10.30). Os sacerdotes tinham inveja, pois Jesus expos suas vaidades e desejo de poder, enquanto demonstrava uma genuinidade autoevidente em sua autoridade que era real, sincera, transparente e divina (Marcos 11.28).
Judas Iscariotes foi quem entregou Jesus aos sacerdotes e o traiu. Jesus sabia que: seria traído, quem iria traí-lo, que o traidor estava destinado à destruição e que as Escrituras deviam se cumprir. Nada disso, porém, exonera Judas como agente livre. Na última ceia, Satanás instigou e entrou em Judas porque ele permitiu. Diante do apelo final de Jesus ao oferecer o pão no cenáculo, Judas recusa flagrantemente a hospitalidade. É cínico ao beijar Jesus e condena-se ao reconhecer seu crime, devolver o dinheiro e suicidar-se (João 13.25-30). Na realidade, Judas tinha uma falha moral, era ganancioso e tinha segundas intenções. Sendo tesoureiro do grupo roubava dinheiro sob sua responsabilidade. Ele tinha um preço – 30 moedas. Amava o dinheiro e, por isso, entregou Jesus (1 Timóteo 6.10).
Judas entregou Jesus aos sacerdotes, que o entregaram a Pilatos, que o entregou aos soldados...que o crucificaram! Ninguém compreendeu quem Jesus era, mas todos são responsáveis (Atos 2.36-39, 3.17, 7.51-52; 1 Coríntios 2.8; 1 Tessalonicenses 2.14-16). O apóstolo Pedro une o desígnio divino e a responsabilidade humana ao afirmar que “Este homem foi entregue por propósito determinado e presciência de Deus; e vocês, com a ajuda de homens transgressores da lei, o mataram, pregando‑o na cruz” (Atos 2.23).
Os pecados deles - e os nossos - são a verdadeira causa de Jesus ter sido crucificado.
Por isso, o Pai entregou Jesus e Jesus se entregou por nós (Gálatas 2.20; Romanos 8.32).




