A cruz da salvação

Na cruz se realizou a salvação de pecadores.
Quando o escritor aos Hebreus quis incentivar seus ouvintes a perseverar diante das perseguições, ele fez várias comparações até afirmar a “tão grande salvação” que foi realizada (Hebreus 2.3). E, assim como a igreja precisa ser descrita em várias metáforas para compreendermos a riqueza e preciosidade da sua natureza, a salvação realizada na cruz precisa de várias palavras para descrever a sua grandiosidade. Se as compreendermos, veremos que ela é infinitamente maior que ovos e coelhinhos de chocolate ao celebrarmos a Páscoa.
A primeira palavra é propiciação que significa a remoção da ira mediante um presente. É uma figura religiosa e descreve um templo. Um devoto em situação desfavorável diante da ira da divindade. Paulo e João nos ensinam a nos imaginar nesta situação quando afirmam que Deus propôs a propiciação no sangue de Jesus, que se tornou o nosso Advogado diante da ira de Deus contra o nosso pecado. As Escrituras nos mostram que Deus é um justo juiz que está indignado contra o pecado, mas que, por seu amor misericordioso, contém a sua ira diariamente. Quando Cristo se entregou na cruz como um presente, Ele desviou a ira de Deus de nós e a recebeu sobre si realizando a propiciação ou expiação dos nossos pecados (Romanos 3.24-25; 1 João 2.1-2, 4.10; Salmos 7.11, 78.38; Números 14.18, Levíticos 7.11, Romanos 1.18).
A segunda palavra é redenção que significa a compra mediante um resgate ou transação. É uma figura social e descreve um mercado de escravos. O sombrio cativeiro ao pecado. Ela pressupõe a nossa situação deplorável como escravizados que necessitam de um ato de salvação. Jesus e Paulo afirmaram que a missão de Jesus era resgatar pecadores. As Escrituras afirmam que o preço pago pela nossa redenção não era ele mesmo, nem sua vida, mas seu sangue que é a vida de Cristo dada por nós e depois dada a nós. Quando Cristo se entregou na cruz, Ele derramou seu sangue como o preço pago pela nossa libertação da escravidão ao pecado (Marcos 10.45; 1 Timóteo 2.5-6; 1 Pedro 1.18-19; Hebreus 9.12; 1 Coríntios 6.18-20).
A terceira palavra é justificação. Justificar significa absolver, declarar justo ou o oposto exato de declarar culpado. É uma figura jurídica e descreve um tribunal. Somos réus pela culpa dos nossos pecados. Mas, por causa da morte de Cristo na cruz, recebemos o perdão que nos redime da nossa dívida e cancela nossa responsabilidade pelo castigo. Somos inocentados! E mais, a justificação concede uma posição justa diante de Deus. Quando Cristo se entregou na cruz, Ele tomou sobre si o castigo que nos traz a paz e o perdão! (Lucas 18.14; Isaías 53.11; Filipenses 3.7-11 Tito 1.1-7).
A quarta palavra é reconciliação que significa a eliminação de uma inimizade. É uma figura familiar e descreve uma casa. Relacionamentos precisam ser restaurados. Em Adão e Eva o relacionamento entre Deus e a humanidade foi rompido. Todos temos medos de Deus, nos escondemos da sua presença e fugimos da nossa responsabilidade. O povo hebreu no deserto foi rebelde e murmurador contra Deus. A nação de Israel foi comparada a uma mulher adúltera por correr atrás de ídolos e de cometer os crimes de escolher as águas turvas das cisternas rotas ao invés de escolher a Deus, que é o manancial de águas vivas. Jesus foi rejeitado pelos seus até ser morto numa trama diabólica, e Paulo e Tiago afirmam que vivemos em inimizade contra Deus. Quando Cristo se entregou na cruz, no seu corpo, Deus reconciliou o mundo consigo adotando-nos como filhos e fazendo-nos seus herdeiros (Gênesis 3; Ezequiel 16.32; Jeremias 2.13; João 1.11, Colossenses 1.21; Efésios 2.14-17; Tiago 4.4).
Ao olhar para a cruz lembramos do templo onde a ira de Deus se desviou de nós. Nos lembramos do mercado de onde fomos comprados e libertos da escravidão ao pecado. Nos lembramos do tribunal onde fomos declarados inocentes pela sua graça, e nos lembramos da casa onde somos recebidos e restaurados a posição de filhos amados de Deus.
Que grande salvação Jesus realizou na cruz!




