Veio ao mundo

Atualizado: 17 de jul. de 2024
Na Páscoa celebramos a morte e ressurreição de um Salvador compassivo, poderoso e amoroso.
A Páscoa não deve ser reduzida aos ovos de chocolate com que presenteamos a quem amamos. Jesus deve ser o centro.
Em Hebreus (cap. 1) se fala da superioridade de Jesus sobre Moisés, profetas ou qualquer ser humano ou os anjos. Se afirma que Jesus é Filho, os anjos são servos. Jesus é Rei, os anjos são súditos. Jesus é Criador, os anjos são criaturas. Jesus é o Salvador da igreja, os anjos são ministros que servem a igreja. No capítulo 2, se fala da humilhação de Cristo e da sua preexistência.
Jesus veio ao mundo para restabelecer a história humana aos planos de Deus. Para que a coroa da criação pudesse experimentar como Deus trata os seus como a menina dos olhos (Zc 2.8). O ser humano criado a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27, 2.15, Sl 8.4-6) devia gerir a terra, mas trouxe maldição a ela com o seu pecado desfigurando toda a criação (Gn 3.17). Animais se tornaram feras e o parto trouxe dor. O trabalho passou a ser realizado com dor e suor enfrentando espinhos e ervas daninhas para poder produzir alimento e até a Imagem de Deus no ser humano foi desfigurada. Cabe a Cristo privilégio da restauração. Não um privilégio concedido, mas um privilégio merecido por aquele que se humilhou para realizar a restauração. A humilhação diz respeito à sua encarnação com seu nascimento, ministério terreno, sofrimento, crucificação e morte de cruz (Fp 2.1-11). Jesus Cristo experimenta a morte por todos, sem acepção de pessoas (Hb 2.9), e através do seu ministério terreno a história distorcida na Queda (Gn 3) tem seu rumo restabelecido. Ele é o segundo Adão que gera uma nova criação (1 Co 15.45-49; 2 Co 5.17)
Jesus veio ao mundo para estabelecer um novo status de relacionamento entre Deus e a humanidade. Somos os muitos filhos que ele veio para “levar à glória” (Hb 2.10). Veio como o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16) e retornou aos céus como o Filho primogênito entre muitos irmãos (Jo 1.12, Rm 8.29). Tornou-se o autor da salvação (Hb 12.1) oferecida como dádiva de Deus à humanidade, pois a salvação é planejada, executada, aplicada e garantida por Deus. Nossa segurança e certeza da salvação, vem do fato de Jesus não se envergonhar de nos chamar de “irmãos” (Hb 2.11) e de sermos tratados como herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 8.16-18). Somos santificados como filhos de Deus para nos parecermos com o primogênito Jesus (Hb 12.10, Rm 8.28-29). Ele disse aos apóstolos “já não os chamo servos... em vez disso, eu os tenho chamado amigos” (Jo 15:15) e, agora, nos chama de irmãos (Hb 2.10).
Jesus veio ao mundo para ser nosso libertador, derrotar o Diabo e destruir suas obras (Hb 2.14). Embora o Diabo tenha o poder de agir na tentação e na opressão (Ef 2.1-3, 6.11-12) sua ação é ineficaz. Nem a morte pode nos afetar (1 Co 15.55-58), pois agora só nos põe mais próximos de Jesus (Fp 1.20-24). O inimigo não tem poder de conter a ação de Deus quando o Espírito Santo convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7-11) ou quando Deus diz “resplandeça a luz” que desvenda o evangelho aos olhos dos incrédulos (2 Co 4.1-7). É Deus que opera a salvação: justifica, santifica e glorificará aquele que crê.
Jesus veio ao mundo para ser um Sacerdote fiel e misericordioso para os descendentes de Abraão (Hb 2.16-18). Jesus não veio salvar anjos caídos ou animais, mas descendentes de Abraão, não por causa do sangue nas veias, mas por causa da fé no coração. Jesus se tornou o sumo sacerdote que age como mediador entre o homem e Deus. Ele se humilhou e se encarnou para propiciar ao Deus Santo e Justo, ser justo. Assim, Deus aplicou a sua ira contra o pecado da humanidade (Rm 3.10,23, 6.22-23) descarregando todo golpe da Lei sobre Jesus e imputando aos que creem, a justiça de Cristo. Ele tomou o nosso lugar e está sempre disposto a nos socorrer porque conhece nossas tentações e as venceu (Mt 4.1-11). Socorreu a Pedro que afundava no mar e clamou por salvação (Mt 14.27-33). Deus é um protetor que não cochila (Sl 121.3-4). Fiel, Ele nunca “permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar” e sempre “providenciará um escape, para que a possam suportar” (1 Co 10:13).
Hebreus nos ensina que temos um grande sumo sacerdote - alguém como nós, mas muito superior a nós - que adentrou o céu como Filho Primogênito; que se compadece da nossa frágil humanidade e de nossas tentações; que é poderoso, pois venceu a tentação e executou a salvação e está assentado no trono de graça de onde derrama seu amor em misericórdia e graça à todo aquele que se socorre dEle (Hb 4.14-16).




