Deixe pra trás

O passado, o presente e o futuro têm significado quando permanecemos em Cristo.
Essa época é propícia para avaliar o ano que vai ficar no passado e para projetar o ano que vai se iniciar. É recorrente ouvir nos noticiários as previsões de especialistas em política ou economia apontando como deverá ser o nosso futuro. A Política e o Mercado aparecem como entidades quase autônomas, como divindades que brincam com nosso destino.
A Bíblia nos ensina que precisamos deixar algo no passado para poder prosseguir para algo no futuro. O Apóstolo Paulo trata deste assunto ao dizer “irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo‑me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo...” (Filipenses 3.13-14). Suas palavras assumem especial sentido quando pensamos nas coisas que ele precisava deixar para trás.
Paulo, provavelmente, escreveu a Carta aos Filipenses de dentro da prisão. É importante notar que apesar de preso fala constantemente sobre alegria e regozijo e que, apesar de pequena, a carta tem assuntos profundos como o autoesvaziamento de Deus em Cristo (cap. 2); a nossa justificação em Cristo (cap. 3) e a promessa de suprimento para o cristão (cap. 4).
Paulo nos ensina a deixar para trás a ansiedade. Havia muitos motivos que poderiam deixa-lo apreensivo. A igreja estava em perigo, pois pessoas maldosas pregavam o evangelho por motivos errados (1.15-18), outras ainda ensinavam heresias (3.1-3) e outras não se entendiam (4.2-3) e ele nada podia fazer, pois não podia confrontar os rebeldes nem cuidar de irmãs preciosas e cooperadoras na pregação do evangelho. Ele teve de lidar com a dúvida se ficaria vivo e sobre o que seria melhor diante da adversidade (1.19-26). Ele nos ensinou a colocar sobre Deus toda a ansiedade pela oração e suplica e com ações de graças que a paz que excede todo entendimento nos alcançaria (4.6-7). Ele nos ensinou que Cristo nos fortalece diante de toda ansiedade (4.13).
Paulo nos ensina a deixar para trás as circunstâncias que fogem do nosso controle. Apesar de desejar pregar o evangelho na Espanha (Rm 15.24,28), ele se encontra preso e impedido de cumprir seu projeto. Paulo, então, prega a todos os guardas que o acompanham e escreve cartas nas quais encoraja a igreja e trata de assuntos que não pode tratar pessoalmente. A pregação não ficou presa devido ao seu encarceramento (1.12-14). Ele nos ensinou a atuar no presente com determinação e nas condições que se nos oferecem, pois é assim que Cristo é engrandecido através da nossa vida (1.20-21). Ele nos ensinou que Cristo nos fortalece diante de qualquer circunstância (4.11-13).
Paulo nos ensina a deixar para trás a autoconfiança. Ele sempre teve plena confiança de que deveria servir a Deus com zelo exemplar. E foi isso que fez durante toda a sua vida (3.4-5), o que o levou a perseguir a igreja de Cristo (At 9.1-2, 26.9-11, 1 Tm 1.13). Mas, seu encontro com Jesus no caminho de Damasco mudou completamente sua perspectiva (At 9.3-30, 26.12-23, 1 Tm 1.12-17). Ele descobriu que precisa colocar sua confiança em Cristo e na obra que Ele executou no Calvário. Ele percebeu que sua autoconfiança nada valia diante de Deus (3.7-11). Ele nos ensinou que devemos abrir mão da autoconfiança espiritual para descansar confiantemente em Cristo, pela fé, e experimentar o poder da ressurreição em nossa vida. Ele nos ensinou que Cristo é nossa fortaleza e nos fortalece a fé (4.7,19).
Paulo perseguiu a Cristo da maneira errada até aquele encontro no caminho de Damasco. Desde então, passou a perseguir a Cristo da maneira correta. Paulo precisava deixar coisas no passado para alcançar algo no futuro sem, no entanto, se deslocar da pessoa de Cristo. Foi Cristo que fez com que o passado, o presente e o futuro de Paulo fossem ressignificados e tivessem sentido.
Deixe que Cristo avalie seu passado. Deixe que Cristo te acompanhe no presente. Deixe que Cristo defina seu futuro.



