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Um só culto

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
5 de abr.
3 min de leitura

O culto tem o propósito de render tudo aos pés do Trino Deus.

 

O culto cristão tem expressões variadas dependendo do tempo e local que observarmos. Qualquer culto, no entanto, deve manter a prescrição de ter “ordem e decência”, conforme 1 Coríntios 14.40.

 

Lembro-me dos cultos na minha infância nos quais o coral tinha grande protagonismo e a canção “Deixa meu povo ir” (Go Down Moses), com o final cantado apenas por um baixo encerrava aquele ambiente solene. Na adolescência surgiu a novidade dos cultos com vários instrumentos musicais, os cânticos e a projeção de letras num ambiente mais descontraído. No início do meu ministério, enfrentei o choque de gerações e a busca por um ambiente equilibrado entre o gosto da juventude e o gosto dos diáconos, já que o culto não deve ter a pretensão de atender gostos particulares.

 

O culto é o momento em que todas as coisas se dirigem para o objeto de culto. Quando há rendição de tudo ao objeto de culto, aí há culto. Rendição, na Bíblia, é a entrega voluntária do controle da própria vida, vontade e desejos a Deus. É a decisão de depositar a confiança na soberania e no amor de Deus em adoração, confiança e submissão diária, alinhando nossa vontade humana à vontade divina para viver em paz e propósito. Não se trata de uma derrota, mas de uma resposta!

 

O culto que agrada ao Senhor é o apego à tradição dos Evangelhos. Ao orientar sobre as correções que precisavam ser feitas no culto dos irmãos em Corinto, o Apóstolo Paulo os elogia por se apegarem às tradições que ele havia transmitido. Não se tratava de tradicionalismo vazio, mas do conteúdo do Evangelho ou da tradição dos Evangelhos. Por isso, ele ainda afirma com relação à Ceia do Senhor “pois recebi do Senhor o que também entreguei a vocês” (1 Coríntios 11.2, 23).

 

O culto que agrada ao Senhor é a centralidade de Cristo. Isso significa que Ele é a personagem principal e o nosso exemplo e objeto de culto. Ele é o cabeça e líder da igreja e exemplo de liderança servidora em amor, que ensina a interdependência e a comunhão (capitulo 11).

 

O culto que agrada ao Senhor é a compreensão de que a Ceia do Senhor é a Mesa da Comunhão. A falta desta compreensão cria pessoas doentes e fracas que dividem a igreja e que precisam ser disciplinadas pelo Senhor. A Ceia do Senhor nos conclama a buscar a maturidade individual e viver as realidades propostas na Ceia (11.19, 22, 30, 32-33).

 

O culto que agrada ao Senhor tem expectativa de experimentar o Trino Deus Trino. É o reconhecimento de que tudo vem dele, e por Ele e para Ele, na expectativa de que Ele venha conceder dons, ou presentes, à Sua igreja reunida para edificar uma unidade na diversidade, através dos dons, ministérios e realizações (capítulo 12).

 

Quando cultuamos, Deus vem edificar sua igreja em amor, pois só o amor constrói esta interdependência e comunhão próprias de um corpo. Só o amor revela que amamos a Deus de todo coração, mente e forças; e ao próximo como a nós mesmos (capítulo 13).

 

Quando cultuamos, Deus vem edificar sua igreja em profundidade. A profecia tem prioridade porque as línguas são mais particulares, mas a profecia alcança um maior número de pessoas com mais profundidade e clareza. A edificação coletiva tem prioridade sobre a edificação particular. O culto é um ato humano que usa todas as suas faculdades e, por isso, devemos buscar o equilíbrio onde cada um se sujeita à edificação que alcança mais pessoas e de uma forma mais equilibrada, em que menos é mais (capítulo 14).

 

O verdadeiro culto clama pela experiência descrita no hino que diz: “Quando tudo perante o Senhor estiver/ E todo o teu ser Ele controlar/ Só então hás de ver que o Senhor tem poder/ Quando tudo deixares no altar” (Em fervente oração - Elisha Albright Hoffman).  

 

O culto é o momento em que os adoradores se rendem e se prostam diante de seu Deus. Só aí há o culto onde Deus está presente e fala, e aguarda essa resposta de rendição.

 

Não é uma derrota, é uma resposta!

 
 
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