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O esvaziamento de Deus

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
16 de fev. de 2025
3 min de leitura

O esvaziamento é uma manifestação radical do amor de Deus.

 

Provavelmente Paulo fez um excerto em sua Carta aos Filipenses (2.5-11) de um trecho de um hino cantado nas celebrações da igreja primitiva. Neste hino destacam-se duas características do esvaziamento que demonstram o amor radical de Deus: a encarnação e a redenção.

 

Jesus vestir-se da nossa humanidade, significa que ele se esvaziou dos benefícios da sua glória para tornar-se 100% humano, bem como que, esvaziou-se da sua transcendência para sujeitar-se ao nosso tempo e espaço.

 

Em Jesus, Deus experimentou as limitações das nossas fraquezas físicas, emocionais e espirituais. Imagine Deus, em quem não há variação, experimentando o ciclo de desenvolvimento que ele determinou para sua criação, ao nascer e crescer (Tiago 1.17; Lucas 2.6-7, 52). Imagine Deus, que é pleno em si mesmo, experimentando carências como a fome ou a sede quando estava crucificado (Mateus 4.2, 21.18, João 19.28). Imagine o Deus Todo-Poderoso, sentindo a ausência de forças, quando se sentiu cansado a ponto de ter que parar no poço na cidade de Sicar, local onde teve uma conversa com a mulher samaritana (João 4.6). Imagine o Deus Onisciente experimentando sentimentos próprios da nossa existência finita, como a tristeza e o choro diante da morte de um amigo (João 11.35) ou a angustia diante da proximidade da sua própria morte (Lucas 23.46).

 

A encarnação e a redenção são manifestações da grandeza de Deus porque revelam uma atitude inusitada, mesmo para um deus. Todos os outros deuses exigem que seus adoradores venham em sua direção cultuá-los na esperança de alcançar seus favores. Todas as outras divindades esperam ser servidas com ofertas e votos em troca desses favores. Mas, em Jesus Cristo Deus fez o caminho contrário, deixou seu trono de glória e veio em direção do ser humano para experimentar sua humanidade. Em Jesus Cristo, Deus realizou gratuitamente a maior ação em favor do ser humano. Ele morreu oferecendo-se como oferta para resgatar a humanidade caída. Em Cristo, Deus serviu a sua própria criação.

 

Jesus comprar a nossa redenção, significa que o Deus-homem cumpriu todas as exigências da Lei para que a humanidade pudesse ser liberta do poder do pecado e tivesse seu relacionamento com Deus restaurado. Jesus foi feito o grande sumo sacerdote que, em amor, serve à humanidade (Hebreus 4.14-16). O Evangelho de Marcos enfatiza que Jesus cura, liberta, restaura, salva, alimenta, expulsa demônios e morre na cruz em prol da sua criação. Ele esvaziou-se da sua onipotente realeza para ser um humilde servo dessa missão (Lucas 4.18-21). Sim, Jesus Cristo é a oferta, o ofertante e o sacerdote na nossa salvação.

 

Enquanto os sacerdotes terrenos ofereciam os mesmos sacrifícios todos os dias, mas que não podiam tirar pecados permanentemente, Jesus Cristo ofereceu um único sacrifício para tirar pecados, que é válido para sempre. Ele é a oferta, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Hebreus 10.11-12; João 1.29).

 

Enquanto os sacerdotes terrenos ofereciam as ofertas que pecadores traziam diariamente pelos pecados cometidos diariamente, ofertas essas que não tinham a capacidade de trazer perdão permanente, Jesus é aquele que oferece voluntariamente a sua própria vida como oferta e resgate de muitos. Ele é o ofertante perfeito, que mesmo sem pecado, traz a oferta da sua vida diante de Deus (Hebreus 8.1-4, 10.11-12; João 10.18).

 

Enquanto os sacerdotes terrenos foram passageiros, Jesus se tornou o eterno sacerdote de uma aliança superior e eterna, porque foi mediada pelo sangue puro de um homem sem pecado, e porque Ele apresentou-se diretamente diante de Deus nos céus, que o aceitou. Ele é o grande sumo sacerdote, Filho de Deus, que penetrou nos céus (Hebreus 4.14-16, 8.6).

 

Por sua encarnação e pela redenção, expressões radicais de seu amor que nos liberta da pena, do poder e da presença do pecado, Jesus será exaltado para sempre por toda a sua criação. Como registra o apóstolo João “eles cantavam um cântico novo: Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto e com o teu sangue compraste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5.9).

 

Junte sua voz a esse canto!

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