O enigma do espelho

Nós cristãos, somos chamados a refletir a imagem de Jesus e a glorificar o Pai.
Toda a humanidade reflete a glória de Deus na medida em que o ser humano foi criado conforme a Sua imagem. Toda inteligência e sensibilidade, toda a capacidade volitiva e criativa e todo senso moral e ético do ser humano refletem o Criador (Gênesis 1.27).
O pecado cometido na Queda pelo primeiro casal - Adão e Eva - desfigurou essa imagem e de forma hereditária passou essa deformação a toda a raça. Aquilo que deveria ser a marca perfeita de Deus em nós, agora é um vislumbre da forma como Deus planejou o nosso ser e a nossa existência.
A perfeição cedeu espaço para a contradição no íntimo da raça humana. Assim o ser humano tem uma autoimagem deformada, sendo a ele possível ser egocêntrico, endeusando-se a si mesmo ao imaginar ser o centro do mundo e alimentar sua autoidolatria. Ao mesmo tempo, pode ter uma baixa autoestima com todas as doenças dela decorrentes, como ansiedade, depressão, transtornos alimentares, dependências e enfraquecimento do sistema imunológico que aumenta o risco de infecções e doenças cardiovasculares. A pessoa humana está marcada pela fragilidade e pela ambiguidade. Sua personalidade fracionada precisa ser redimida para voltar a refletir a glória de seu Criador, e a obra de Cristo tem o poder de libertar o ser humano de autoimagens distorcidas para poder viver os verdadeiros propósitos de Deus.
Quando o apóstolo Paulo escreve aos coríntios fala do amor como a marca das pessoas maduras. A imaturidade é a característica da infância e o que nos faz raciocinar e agir como meninos. O autoconhecimento é a estrada para a maturidade que nos faz perceber e agir como adultos (1 Coríntios 13).
Jesus nos exorta a sermos perfeitos em amor como nosso Pai celestial. Isto é, a refletirmos a sua imagem amando com o amor que é revelado pelo próprio Pai em nós. Paulo ainda afirma que Deus está agindo em todas as coisas para que elas conjuntamente concorram para nosso bem, isto é, sermos formados à imagem de Jesus Cristo. O ministério do Espírito Santo inclui transformar o nosso modo de pensar, a fim de que coisas novas ocupem o lugar da antiga ordem interior, a tal ponto de nos reconhecermos como uma nova criação (Mateus 5.48; Romanos 8.28-29; 2 Coríntios 5.17).
O evangelho de Jesus tem o poder de transformar nossa autoimagem. Nele somos adotados na família de Deus e somos chamados de filhos e filhas amados (2 Coríntios 6.18). É essa nova posição e condição que nos enche de vigor para deixar para traz as imagens distorcidas e os relacionamentos doentios gerados por elas.
A nossa estrutura interior deve ser confrontada com essa verdade e com a realidade que ela quer trazer à existência em nossa vida, toda vez que a velha ordem interior quiser nos manter como crianças espirituais que, ou são seduzidas pelo egocentrismo ou cedem amargamente à autocomiseração.
Alguém já disse que “tudo que Jesus pede de nós, primeiro, Ele é o exemplo. Segundo, Ele é a fonte”. Isto significa que o exemplo de ser humano maduro é Jesus e como ele lidou com as tentações, com as frustrações, com as dores e tristezas, com a injustiça, rejeição e traição mantendo uma autoimagem adequada de si mesmo sem nunca ceder à tentação de pecar (Filipenses 2.1-11, Hebreus 4.14-16).
Ao olharmos no espelho podemos ver refletidas em nosso rosto somente as nossas conquistas, e nos entendermos como muito bons. Ou ainda, podemos enxergar todas as nossas fraquezas, defeitos, frustrações e carências e nos entregarmos à autocomiseração.
O desafio é olhar no espelho e enxergar a imagem de Cristo refletida em nós. Aprender de Jesus, e dele alcançar descanso para nossa alma; ou seja, um viver íntegro que desfruta e reflete a imagem de Jesus (Mateus 11.28-29).




