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Laodiceia

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
31 de ago. de 2025
3 min de leitura

A igreja precisa ser o ambiente que exala a presença de Jesus.

 

Esmirna e Pérgamo foram igrejas que existiram em ambientes hostis onde havia a Sinagoga e o Trono de Satanás. Mas, nem por isso, havia justificativas para suas falhas. Tiatira, enfrentou problemas internos e foi exortada a não negligenciar o confronto com a falsa profetiza Jezabel e as heresias dos Nicolaítas. Sardes era ela própria o seu problema. Necessitava urgentemente de um reavivamento, pois apesar de ter fama de ser viva, estava morta. Filadelfia é exemplo de igreja fiel, mas que não pode deixar de ser perseverante.

 

Laodiceia foi uma igreja numa grande metrópole muito importante para o império Romano. Tinha indústrias de vestuário e farmacêutica. A igreja em Laodiceia vivia neste ambiente de prosperidade que exigiu sua transigência com o culto ao Imperador. Isso acarretou seu total afastamento do senhorio de Cristo. Outras coisas e valores comandaram seu coração e ações; e Jesus foi completamente alijado deste processo.

 

À esta igreja Jesus se apresenta como o “Amém”, ou seja, aquele que decide e decreta todas as coisas baseado em sua onisciência e soberania. Nele não há o relativismo dos tempos modernos (verso 14).

 

É esse Jesus quem decreta que Laodiceia vivia sem intensidade (versos 15-16). Não ser frio nem quente não é viver “sem paixão”, ou sem aquele sentimento arrebatador que dá arrepio pela pele. Também não é uma opção. Jesus exortou sua igreja sobre sua falta de intensidade naquilo que fazia. Laodiceia é dividida, e por isso não é consistente. Ela precisava ser intensa, como um café assim denominado que tem “sabor forte, encorpado e com notas sensoriais marcantes”. Laodiceia precisava que sua espiritualidade se manifestasse com vigor e abundância, ultrapassando as medidas do habitual e medíocre.

 

A frieza e a quentura se manifestam exteriormente. Jesus, ao dizer “gostaria que fosse frio ou quente”, está a afirmar que a mornidão é uma fraude, uma camuflagem ao verdadeiro estado, pois não é possível afirmar se está ½ quente ou ½ frio. Essa atitude gera os que querem a Jesus, mas não aos irmãos; querem o noivo, mas não a noiva; querem as promessas, mas não as orientações. Pior ainda é que Laodiceia vivia satisfeita ao afirmar “sou rico, enriqueci‑me e não preciso de nada” (verso 17). Ela não enxergava que a autossatisfação é autoengano quando nos afasta de Deus. Que a riqueza de que ela se vangloriava era um “ouro de tolo”, e que a sua egolatria não permitia ver a própria nudez.

 

Jesus exorta à uma espiritualidade consistente que mantenha um padrão de comportamento, atitudes e ações ao longo do tempo. Que venha a agir de forma coerente, estável e sem grandes variações ou interrupções. Que seja perseverante em seus valores, objetivos e metas mesmo diante de desafios e, finalmente, que demonstre firmeza e confiabilidade em suas ações. Laodiceia não podia ser transigente com o culto ao Imperador, e precisava fazer de Jesus o seu Senhor e modelo de espiritualidade consistente. 

 

Jesus era intenso em sua espiritualidade, mas não era chato! Ele venceu a tentação do Diabo com jejum, oração e as Escrituras (Mateus 4.1-11). Ele resistiu à hipocrisia dos religiosos da sua época reprovando seus ensinos errados e dando a verdadeira interpretação da Lei (Mateus 5-7). Ele foi resistido e perseguido pelos religiosos que o insultaram de ser amigo de publicanos e pecadores, mas sua companhia foi conforto para oprimidos e até crianças (Mateus 11.19, 19.13-15).


Jesus decretou que Laodiceia precisava de arrependimento. A exortação é uma prova do amor do Senhor pela igreja, e que o arrependimento é essencial para uma espiritualidade consistente. Arrependimento genuíno envolve consciência, contrição, confissão e conversão do pecado. Mudança de mente e de atitudes para melhor. Todo arrependimento assim, é digno de perdão!

 

Jesus - o Amém - que decide e decreta tudo com sua onisciência e soberania – não decretou o fim de Laodiceia. Antes, convidou a igreja para abrir-se para o arrependimento que gera uma nova realidade em seu relacionamento. Jesus é como aquele Pai que, ao ver seu filho perdido retornar arrependido, decretou: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem‑lhe um anel no dedo e calçados nos pés. Tragam o novilho gordo e matem‑no. Vamos comer e festejar. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado”. Então, começaram a festejar o seu regresso (Lucas 15.22-24).

 

Nós também precisamos nos abrir para o arrependimento que permite a comunhão com Jesus!



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