Convencer e Batizar

O Espírito Santo de Deus tem o ministério de convencer e batizar.
O Espírito quer diminuir a pretensão pessoal para conceder o Seu poder! Para isso Ele realiza o ministério de convencimento, isto é, Ele leva o descrente a reconhecer a verdade e a mudar de opinião por meio de fatos, provas e raciocínio lógico. Convencer, do latim quer dizer "vencer completamente", isto é, uma rendição.
C. S. Lewis, ao narrar sua conversão do ateísmo ao cristianismo, nos conta que embora sua lógica e seu intelecto o tenham convencido da existência de Deus, resistiu emocionalmente e com grande relutância, pois temia perder o controle sobre sua própria vida, até que finalmente se rendeu.
Em sua autobiografia Surpreendido pela Alegria, ele narra como sua mente o empurrava para a fé, mas seu coração repudiava a ideia de se submeter a um Criador. Mas, na primavera de 1929, ele cedeu e fez uma oração de rendição, descrevendo-se na ocasião como "o convertido mais deprimido e relutante de toda a Inglaterra". Ele sabia que aceitar o cristianismo significaria alterar radicalmente seu estilo de vida, suas ambições e o controle de sua própria vontade.
Jesus disse a seus discípulos que este seria o ministério do Espírito Santo após sua morte, ressurreição e ascensão. Ele seria enviado ao mundo para convencer do “pecado, da justiça e do juízo” (João 16.5-11).
O Espírito Santo convence do pecado de rejeição de Jesus Cristo como Salvador. Alguns não creem em Deus ou que exista pecados e nem se veem como pecadores, mas o Espírito Santo expõe essa incredulidade e convence o ser humano de sua pecaminosidade, que é o que o faz recorrer a Deus (João 16.9)
O Espírito Santo convence da justiça que há em Cristo Jesus. O Apóstolo Paulo percebia-se cheio de merecimentos e escreveu que “se outros pensam ter motivos para confiar nos próprios esforços, eu teria ainda mais! Fui circuncidado com oito dias de vida. Sou israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, um verdadeiro hebreu. Era membro dos fariseus, extremamente obediente à lei judaica. Era tão zeloso que persegui a igreja. E, quanto à justiça, cumpria a lei com todo rigor”, mas ele conheceu a Cristo e compreendeu que “Pensava que essas coisas eram valiosas, mas agora as considero insignificantes por causa de Cristo. Sim, todas as outras coisas são insignificantes comparadas ao ganho inestimável de conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, deixei de lado todas as coisas e as considero menos que lixo, a fim de poder ganhar a Cristo e nele ser encontrado. Não conto mais com minha própria justiça, que vem da obediência à lei, mas sim com a justiça que vem pela fé em Cristo, pois é com base na fé que Deus nos declara justos (João 16.10; Filipenses 3.4-9).
O Espírito Santo convence do juízo. O "príncipe deste mundo" é uma referência a Satanás, no entanto, a morte e ressurreição de Cristo selaram a derrota do mal. É o Espírito Santo que adverte o mundo do julgamento divino final, real e inevitável. É ele que convence o descrente pecador do juízo terrível que lhe aguarda se continuar a rejeitar a Jesus Cristo, e é Ele que convence o crente da sentença de perdão que Deus declara diante de seu arrependimento.
Em suma, é o Espírito Santo quem desperta a consciência humana, revelando a nossa condição de pecadores, apontando para a justiça de Cristo e nos alertando sobre o juízo vindouro.
Pedro foi alvo deste ministério de convencimento do Espírito Santo durante toda a sua trajetória.
No primeiro contato com Jesus e no seu chamado, que será confirmado ao final (João 1.40-42). Ele é escolhido para o círculo íntimo de Jesus e passa pelo discipulado e desenvolve tamanha confiança que chega a andar sobre as águas (Lucas 5.1-11). O ápice de seu relacionamento com Jesus se dá quando é convencido de que Jesus é “o Cristo, o filho do Deus vivo” vindo logo a seguir o conflito e a severa repreensão por deixar-se influenciar pelo inimigo e não compreender a natureza espiritual do reino de Cristo (Mateus 16.13-19). O processo conflituoso acaba em queda e fracasso quando garante lealdade a Jesus durante a última ceia para poucas horas depois negar conhecer Jesus três vezes (Lucas 22.54-62). Pedro é convencido de seu pecado, da sua restauração e do seu envio a apascentar as ovelhas de Jesus e torna-se um grande, intrépido e consagrado líder da igreja (João 22.54-62; Atos 2.14).
O Espírito Santo convence os descrentes ao abrir-lhes os olhos para que possam ver a luz do evangelho da glória de Cristo e, finalmente, crer (2 Coríntios 4.1-6).
O Espírito Santo convence os crentes ao confrontar argumentos, ideias e valores que ficam encastelados na mente e se tornam verdadeiras fortalezas dentro do coração e que precisam ser destruídas para que o coração volte-se para o conhecimento de Deus e submeta-se a Cristo (2 Coríntios 10.3-5).
Uma vez convencido, o crente é batizado pelo Espírito Santo, isto é, mergulhado para dentro no Corpo de Cristo – a igreja - onde recebe capacidades para servir e poder para testemunhar ao mundo.




