Revitalização da Liderança

Atualizado: 30 de nov. de 2024
A igreja não pode ter uma liderança desqualificada. Por isso, a revitalização é uma tarefa contínua.
Observamos o perigo que corriam as igrejas da Galácia, Corinto e Colossos ao se afastarem do verdadeiro evangelho da graça de Deus (Gálatas 1.6-9; 3.1-4; 1ª Coríntios 1.18-25; Colossenses 1.8-25). Na carta a Timóteo (1.3-5), no entanto, é tratado o perigo da liderança desqualificada. Ao jovem pastor Timóteo cabe orientar a igreja a como proceder, dando especial ênfase em sua liderança (capítulos 3 e 5). Já que uma igreja não cresce além de sua liderança; a liderança descomprometida, enferma e que não atende os princípios bíblicos acaba por alimentar discórdia, ressentimentos e egolatria naqueles que pensam que são os mais importantes.
A liderança sempre foi de suma importância nos planos de Deus para seu povo. Para libertar seu povo da escravidão no Egito, Deus preparou e convocou Moisés. Para unificar Israel como uma nação, preparou e convocou Davi. Para trazer o povo de volta do cativeiro babilônico, separou e convocou a Neemias. Para cumprir a Grande Comissão chamou os doze apóstolos para comunhão e treinamento, e lhes concedeu poder e autoridade. Para cumprir sua missão aos gentios, encontrou e comissionou a Paulo. Ao longo da história da Igreja, Deus levantou outros homens em diversas áreas para dar direção ao seu povo, como Agostinho, Lutero, Guilherme Carey, Billy Graham e tantos outros.
A Carta a Timóteo é um manual de revitalização da Igreja, pois nela Timoteo é claramente orientado sobre o cuidado que o jovem pastor deveria oferecer aos líderes da igreja de Éfeso, isto é, àqueles que ensinavam e que presidiam.
Paulo elenca as principais qualidades dos bispos, tanto morais, como espirituais e emocionais (1ª Timoteo 3.1-7). As 16 características apontam, não para uma imposição, mas para um anseio que domina o coração daquele que percebe que Deus o encaminha para esta nobre função. Apenas “ser apto para ensinar” é uma competência que pode ser adquirida; todas as demais, dizem respeito ao caráter do bispo. As palavras bispo, presbítero e pastor são usadas de maneira intercambiável para descrever diferentes aspectos da função exercida pelos líderes espirituais da igreja visível (Atos 20.17,28). Presbíteros são aqueles que têm experiência para orientar a igreja. Bispo é aquele que tem competência para administrar ou liderar a igreja e, Pastor é aquele que tem vocação e chamado para cuidar da igreja.
Paulo orienta Timóteo a transmitir suas instruções aos irmãos para ser um bom ministro de Cristo Jesus. A exercitar se na piedade. A ser um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza, mesmo que seja mais jovem que suas ovelhas. A dedicar-se à exposição pública da Escritura, à exortação e ao ensino. A cuidar bem da sua própria vida e do seu ensino. A perseverar nestas coisas a fim de salvar-se a si e aos que o ouvem (capítulo 4). Essas qualificações tornam Timóteo apto a admoestar o rebanho contra o ensino de doutrinas errôneas (1Tm 1.3-4).
Outro exemplo está nas cartas às sete igrejas de Apocalipse. Nelas, Jesus Cristo se dirige, primeiramente, à sua liderança espiritual, a quem chama de “anjos”. Cristo se dirige primeiramente à liderança de cada igreja que deseja revitalizar porque Deus opera na vida de seu povo através de líderes. A.W. Tozer argumentava que “a história de Israel e Judá apresenta uma verdade ensinada claramente por toda a História, isto é, as massas são ou logo serão aquilo que os seus líderes forem”. Ou seja, a igreja seguirá os seus líderes porque “de maneira simples, liderança é influência”.
Harry Reeder afirma que o líder é necessário no processo de revitalização de igrejas, e que, esses líderes devem ser dominados por três máximas: Primeira, bons líderes aprendem com o passado, mas não vivem nele. Segunda, bons líderes vivem no presente, mas não se acomodam a ele. Líderes são “termostatos”, em vez de “termômetros”. Termômetros apenas refletem o ambiente ao redor, enquanto os termostatos mudam o ambiente. E, a terceira, bons líderes olham para o futuro, mas não esperam por ele. Em cada máxima está a necessidade do bom líder não se acomodar ou se tornar inoperante. Liderança é influência, e qualquer atitude do líder acabará refletindo sobre sua comunidade.
Por essa razão, a boa liderança cristã, segundo a Bíblia, é aquela que se espelha em Cristo. Na contemporaneidade, é comum os liderados ansiarem copiar o que é popular no mundo empresarial, o que é um lamentável erro diante dos ensinos de Jesus, pois não deve haver entre os seguidores de Jesus, tirania ou despotismo, mas serviço, cuidado e amor (Mateus 20.25-28; João 13.12-17).


