Resposta à Morte

Somente no encontro com Jesus o ser humano enfrenta a morte e encontra conforto e esperança.
Todos os dias milhares de pessoas morrem. Só no Brasil são 3918 óbitos por dia (2023). Aproximadamente 30% são por infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). O câncer é a segunda maior causa de morte (2025), vindo logo após a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), especialmente ligada ao tabagismo. As causas externas, como acidentes de trânsito, violência (homicídios), afogamentos e quedas também têm um índice significativo. Esses e outros tantos motivos de morte são a causa da frustração de muitos sonhos, expectativas e esperanças. Mas, enquanto a morte frustra, o Evangelho de Jesus Cristo traz esperança que satisfaz.
Satisfação é sentir o prazer pela realização do que se esperava. E estar contente. Na Teologia a satisfação envolve a reparação do mal causado a alguém ou da injúria feita ao próximo ou a Deus pelo pecado. A esperança que o Evangelho de Jesus traz, repara o mal causado pela morte nos diversos níveis da nossa existência: individuais, fraternais e sociais e espirituais.
A morte é um mal individual aponta para a separação do corpo e do espírito. A parte material e a
parte imaterial do ser humano deixam ser unas e ser humano deixa de ser um ser íntegro. Na criação, Deus uniu o pó da terra com seu espírito (hebraico: ruah) e o ser humano ser tornou uma alma vivente (hebraico: nephesh), ou seja, um ser que vive. Na morte, há a desintegração desta unidade e nesta passagem para a vida eterna em Cristo há a separação do corpo físico (que volta ao pó) e do espírito (que vai para Deus). A morte é uma consequência do pecado que foi estendida à toda humanidade, e morrer “fisicamente” sem Cristo nesta vida é morrer “espiritualmente” para a eternidade, ficando num estado de perdição eterna por não haver mais solução para o distanciamento de Deus.
A morte causou a frustração da existência e da história de Lázaro. Ele era de Betânia, tinha uma família e muitos amigos quando adoece e morre (João 11.1-2). Ele vivenciou as experiências que estão definidas para todo ser humano: sofrer e morrer. A existência de Lázaro foi frustrada pelo mal da morte.
A morte causou a frustração no seio daquela família. Marta e Maria sofrem ao enfrentar a morte de seu irmão e buscam a Jesus (verso 3). O sofrimento causado pela morte envolve a razão e as emoções, e quem permanece vivo experimenta um turbilhão de emoções e razão. As fases do luto precisam ser enfrentadas (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação conforme Elisabeth Kübler-Ross). Marta, especialmente, tem que lidar com suas expectativas, e no diálogo com Jesus discursa sobre sua fé e expectativa no passado, presente e no futuro ao mesmo tempo em que cria embaraços para a realização da fé (versos 21-24, 39). As expectativas da família foram frustradas pelo mal da morte.
A morte causou frustração nas interações e nos relacionamentos sociais. As interações sociais são fatos dinâmicos e momentâneos, enquanto as relações sociais são a rede duradoura formada por essas interações recorrentes. A família tinha muitos amigos judeus que foram confortar, que discerniam seus movimentos e que os amavam também (versos 19, 31, 33 e 36). Os discípulos de Jesus também enfrentaram essa morte, hora preocupados com a provável perseguição (versos 7-8), hora focando nas condições clínicas e crendo num milagre à distância (verso 11-12). Mas sempre com uma perspectiva temporal (verso 16). As relações sociais foram frustradas pelo mal da morte.
A resposta para a morte que o Evangelho apresenta é Jesus.
A intimidade com Jesus trouxe a segurança do seu amor. Naquele momento difícil, Marta e Maria buscaram a companhia e a direção de Jesus e mandaram chama-lo (verso 1-2). Jantares e conversas ensinaram muita coisa que trouxe segurança e protegeu seus sentimentos pela verdade que aprenderam (Lucas 10.38-42). Elas estavam conscientes do amor de Jesus por Lázaro, por isso avisaram “aquele que amas está doente” (3) e o próprio Jesus disse “Nosso amigo Lázaro adormeceu” (11) e experimentou profundamente a dor e a tristeza da morte daquele a quem amava (33,35,38).
A intimidade com Jesus permitiu que fossem cuidadas pela verdade que Ele ensinou. Isso lhes trouxe esperança e a verdade que consola e dá direção. Marta e Maria tinham esperança porque criam em tudo que Ele ensinou e que Ele é o próprio “Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo” (21-27).
A intimidade com Jesus trouxe comunhão e a segurança da Sua companhia. Jesus se aproximou na hora da mais profunda dor e não ficou insensível aos sentimentos das irmãs. Ele ficou profundamente emocionado ao ver que os vivos sofriam e choravam. Ele chorou por Lázaro que experimentara a morte. Ele não escondeu que amava aquela família e que sofria juntamente com ela (33-36). Ele não foi insensível à dor e sofreu junto com eles. Ele manifestou misericórdia, permitindo que a dor do outro doesse em seu coração.
A intimidade com Jesus trouxe o poder extraordinário de Jesus para suas vidas. Naquela ocasião Jesus curou e ressuscitou a Lázaro. Jesus cuidou deles e de todos que estavam envolvidos no doloroso enfrentamento da morte de maneira extraordinária. A morte não fugiu ao controle de Deus. Aquela doença foi para glorificar a Deus (4). Os discípulos foram beneficiados naquela experiencia (14). Marta precisou crer e ver a glória de Deus (40) e todos foram confrontados com a fé (41-42, 45).
A morte frustra, mas o Evangelho traz esperança que satisfaz. A morte frustra muitos sonhos e projetos desde o Éden; mas para quem enfrenta a morte, há esperança da ressurreição do corpo. Para quem fica neste mundo, há o consolo da esperança do reencontro e para todos, existe a compreensão da morte.
Quem põe sua esperança em Cristo pode perguntar “Onde está, ó morte, a tua vitória?” (1 Co 15.55) e se consolar com estas palavras (1 Ts 4.18). Pode enfrentar a vida e a morte com serenidade (Fl 1.19; 2 Tm 4.6-8), pois Jesus venceu a morte quando se entregou voluntariamente e ressurgiu do mundo dos mortos, tornando-se o primogênito da ressurreição e precursor de muitos irmãos (Jo 10.18; Rm 6.4; Cl 1.18, Rm 8.29, Ap 1.5, Hb 6.19-20). Essa esperança trazida pelo Evangelho de Jesus tem poder de reparar o mal causado pela morte!
Quem tiver de enfrentar a morte encontrará resposta e esperança em Jesus!




