Resposta à Angustia

Somente no encontro com Jesus o ser humano se livra da angustia e encontra a verdadeira paz.
Em 31 de outubro de 2025 comemoramos 508 anos da Reforma Protestante deflagrada pelas 95 teses que Lutero afixou na porta da Abadia de Wittenberg na Alemanha. Lutero era um monge agostiniano, Doutor em Teologia e autorizado pela igreja a ensinar a Bíblia. Estudando as cartas de Romanos, Gálatas e Hebreus e o livro dos Salmos para suas pregações, encontrou-se profundamente angustiado com medo da condenação de sua alma, apesar da obcecada dedicação à oração e as meditações. Com relação à igreja que servia, estava irremediavelmente incomodado com o valor dado às penitências e às exigências de boas obras. Também estava insatisfeito com as práticas da igreja, especialmente a venda de indulgências. Mas, por fim, encontrou resposta para sua crise espiritual ao compreender a justiça divina na passagem "O justo viverá pela fé". Essa revelação o levou a crer que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido pela fé no sacrifício de Jesus, e não por obras ou dinheiro. Essa nova convicção o libertou de sua angústia pessoal.
A angústia é uma percepção psicológica caracterizada pela mudança de humor, perda de paz interior, dor, insegurança, culpa, mal-estar e tristeza. Essa percepção é o processo cognitivo do cérebro que seleciona, organiza e interpreta as informações sensoriais (visão, audição, tato, etc.) do ambiente, atribuindo-lhes significado com base em experiências passadas e no contexto.
Neste sentido, Lutero e Nicodemus sofriam a mesma angustia (João 3.1-21). Nicodemus procura Jesus por causa desta percepção psicológica angustiante! Ele é o homem sozinho diante de Deus! Uma experiência única, pessoal, existencial e intransferível!
Nicodemus era um fariseu maduro e mestre da Lei, uma autoridade entre os judeus e, portanto, seguro de sua religião com seus ensinos e valores. No entanto, ao ouvir os ensinos de Jesus e ver os milagres que Ele realizava, concluiu que eram de Deus. Com isso, sua segurança foi abalada (1, 4 e 10). Os fariseus eram profundos conhecedores da Lei de Moisés que estavam convencidos que o Exílio Babilônico (586-538 aC) foi causado pelo fracasso de Israel em observar a Torah e que, portanto, a observância irrestrita era um dever individual e nacional. Interpretaram tão minunciosamente a Lei que criaram 613 mandamentos como instrução e que passou a ser conhecida como tradição dos anciãos (Marcos 7.1-23). Toda essa estrutura foi desconstruída pelos ensinos e milagres de Jesus.
Enquanto Nicodemus cria que Israel era um povo especial de Deus, Jesus afirmou que “Deus amou o mundo” e especialmente os que creem. Enquanto Nicodemus cria na absoluta autoridade da Torah, Jesus reinterpretou a Lei, ressignificando “o que foi dito” e pondo toda a autoridade sobre sua própria palavra ao afirmar “eu, porém, vos digo...” (Mateus 5.21,27,31,33,38,43). Enquanto Nicodemus descansava nos tradicionais ensinos que dominava como mestre, Jesus o desafia a uma experiência de relacionamento existencialmente transformador com o Espírito de Deus – um novo nascimento. Enquanto Nicodemus cria que precisava cumprir absoluta e rigorosamente todos os mandamentos, Jesus afirma que Deus ama “todo aquele que nEle crê”. Enquanto Nicodemus acreditava que a obediência era fator de merecimento das bênçãos de Deus, Jesus afirmou que “Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito”. Que não foi merecimento, foi graça! Enquanto Nicodemus insistia na absoluta unidade de Deus, Jesus afirmou que Deus “deu o seu Filho Unigênito” com quem tem uma relação singular e que é um com o Pai.
Nicodemus estava angustiado porque toda a segurança que estava baseada na estrutura do que cria e ensinava foi contradito pelos ensinos e pela pessoa de Jesus.
Assim como Lutero, Nicodemus só encontrou paz em Jesus, ao crer pela fé.
Conforme as palavras do próprio Jesus “... Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus (João 3.16-18 NVI).
Quem estiver angustiado e insatisfeito com a sua espiritualidade encontrará paz em Jesus!




