top of page
LOGO.png

Resposta à Insatisfação

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
7 de dez. de 2025
3 min de leitura

Somente no encontro com Jesus, o ser humano tem satisfação verdadeira para a vida.

 

Uma das histórias mais populares da Bíblia ficou conhecida como a Parábola do Filho Pródigo ou esbanjador, porque desperdiçou todos os seus bens (Lucas 15.11-32). Tim Keller, mais recentemente, nos ensinou que pródigo é o Pai que tem um amor generoso e magnânimo, que alcança a todos indistintamente. Essa estória é contada para responder aos Fariseus e Mestres da Lei, que criticavam Jesus por acolher e se relacionar com publicanos e pecadores. Ele contou três estórias: primeiro, da ovelha perdida para mostrar o interesse de Deus para com a humanidade, pois tendo todo o universo para cuidar, Ele deixa sua glória e se encarna para resgatar a humanidade perdida (Lucas 15.3-7). Depois, fala da moeda perdida para mostrar o valor que Deus atribui à humanidade perdida (Lucas 15.8-10). Por fim, “Jesus continuou...” (verso 11) falando desse Pai Pródigo e de seus filhos para justificar sua atitude de acolher pecadores

 

Só o relacionamento com o Pai pode satisfazer o anseio do coração humano e nada pode substituir a falta desse relacionamento. Escritores e filósofos concluíram que "existe um vazio no coração de cada homem que só Deus pode preencher". 

 

Para justificar o acolhimento a pecadores, Jesus descreve na parábola um universo distópico onde tudo é opressivo, indesejado e disfuncional. É o oposto de uma utopia - um lugar ideal ou perfeito. Utopia era a casa do Pai.

 

O filho mais novo, ao pedir parte da herança a que não tinha direito ainda, fez um pedido que equivalia a desejar a morte do Pai. Renegou o direito e os cuidados do Pai, entregando-se à tirania do seu Ego que, sem remorsos, desprezou a tudo e todos na tentativa de satisfazer seu incontrolável desejo de controlar. O Ego é insaciável e, por isso, a parábola mostra que “lá desperdiçou os seus bens, vivendo desenfreadamente”. O jovem herdeiro termina como empregado a passar necessidade e, por ironia, a desejar comer a lavagem dos porcos (versos 11-16).

 

A redenção improvável do filho mais novo passa por enxergar a sua verdadeira condição. Ele se percebe pecador, indigno, disposto a assumir seus erros e voltar-se para o Pai em atitudes que, finalmente, destronam o seu Ego (versos 17-20).

 

Há uma resposta improvável do Pai, pois parece que ele está a aguardar o retorno do filho pela mesma estrada pela qual um dia viu o filho partir. Seu amor jamais mudou. É sua compaixão que o faz, depressa, abraçar fortemente e ternamente beijar o filho, protegendo-o da possível fúria da comunidade com esse filho pródigo, que sabe que já não era digno (verso 20).

 

O Pai restaura a vida. Ao decretar roupas novas, restaura a dignidade e a inocência do filho. Ao dar-lhe o anel, restaura sua identidade como membro da família e ao dar-lhe sandálias restaura sua liberdade e honra. Escravos e servos andavam descalços, filhos andavam calçados (verso 23).

 

A reação incontida do filho mais velho representa aqueles religiosos que dominados pelo seu Ego “enchem-se de ira”. Eles serviam em busca de algum benefício e se punham como padrão para os outros sem perceber seus próprios erros. Apesar de serem “descendentes de Abraão, mestres da Lei e respeitados pela sociedade”, estavam insatisfeitos consigo, com os publicanos e pecadores, e com Jesus que acolhia a todos. O filho mais novo é a humanidade insatisfeita em seus caminhos. O filho mais velho são os pretensos religiosos; insatisfeitos consigo, com o outro e com o amor do Pai (versos 25-30).

 

Enquanto o relacionamento com Deus for na base do Eu-Isso, querendo fazer de Deus algo que se domina como um gênio da lâmpada mágica do qual tira benefícios ególatras, o ser humano estará insatisfeito com a vida. Mas quando se relacionar com Deus na base do Eu-Tu, como duas pessoas, no qual o ser humano se reconhece indigno e descansa no caráter do Pai - gracioso e pródigo em seu amor - o ser humano encontrará uma vida de satisfação plena e verdadeira.

 

Quem estiver insatisfeito com a vida encontrará resposta na graça oferecida em Jesus!



bottom of page