Celebramos nossa unidade

Atualizado: 17 de jul. de 2024
A Igreja é uma família para se pertencer.
Juntos celebramos com gratidão o grande privilégio de sermos filhos amados de Deus - a nossa nova identidade – e juntos celebramos com fidelidade o nosso grande compromisso - manter a nossa unidade.
A unidade é como um jugo que requer que andemos juntos, atrelados, lado a lado, na mesma direção e no mesmo ritmo como foi o convite de Jesus ao seu seguimento (Mt 11.28-30). A unidade requer que enxerguemos a vida a partir dos laços que nos unem e nos ligam uns aos outros como ocorre numa família em que pais, filhos e irmãos estão ligados pelos laços de sangue e cuja marca é a mutualidade.
No Antigo Testamento encontramos no “Shema” (Dt 6.4), expressão hebraica que significa “ouve” e é a principal oração do povo judeu, um lembrete assertivo e imperativo à Israel focar-se no fato de seu Deus ser o único Deus verdadeiro em meio às nações idólatras entre as quais habitaria (Egito e Canaã). É também a afirmação da unidade e unicidade de Deus.
O Tabernáculo também é uma expressão da unidade entre Deus e o seu povo. O Tabernáculo lembra que Deus habita com eles e está entre eles e na arquitetura e na geografia são afirmados a unidade de Deus. As três partes do Tabernáculo: pátio, santuário e lugar santíssimo falam da Sua própria unidade (Ex 25-30) e a distribuição das doze tribos em torno do Tabernáculo falam da Sua presença e da unidade com seu povo (Nm 2).
O Salmista (Sl 133) nos lembra da importância de preservar a unidade, pois é partir dela que o povo é revestido de autoridade e de poder para realizar a sua missão, que é viabilizar a vida, desfrutando e espalhando a bênção do Senhor.
No Novo Testamento, temos na “Oração Sacerdotal” a expressão máxima do chamado à unidade.
Jesus poderia pedir ao Pai, muitas coisas para seus discípulos. Poderia pedir que todos os demônios se submetessem a eles (Lc 10.17); ou que se tornassem um exército de “Saulos” dispostos a impor sua religião a todos os povos (At 9.1-2). Poderia ainda pedir que eles fossem capazes de construir o maior templo da terra ou fazer do Cristianismo a única religião do mundo. Mas, ao invés disso, Jesus pede para que sejam um (Jo 17.11).
Jesus rogou ao Pai que eles fossem um, pois quando andamos em unidade estamos debaixo da proteção do Pai, mas quando não somos um, estamos vulneráveis ao inimigo. É por isso que mais adiante Jesus pede para que sejamos protegidos do inimigo (Jo 17.15) que quer dividir e enfraquecer. Somos vítimas do inimigo e nos tornamos do mundo que jaz no Maligno fazendo a sua vontade que é andar desunidos andando distantes uns dos outros e do Pai que nos protege (1 Jo 5.18-21).
A oração de Jesus é pela unidade. Ele pede por aqueles que estavam com Ele naquele instante há dois mil anos e por nós hoje que ainda haveríamos de crer: “que sejam um” (Jo 17.20-21). O sucesso da nossa missão está intimamente ligado ao fato andarmos em unidade ao irmos ao mundo testemunhar a mensagem de Jesus e fazer discípulos Seus.
O inimigo, desde o Éden, usa a estratégia de minar e destruir a unidade. Ele colocou uma cunha na comunhão de Adão e Eva com Deus quando colocou em dúvida as intenções de Deus (Gn 3.4, 8-10). O casal que era “uma só carne” passou a ser desunido (Gn 2.23-25; 3.12). A unidade de Deus com seu povo sempre foi atacada no Antigo Testamento e o povo se desviava atrás dos deuses de outros povos, confiava no poder de outras nações e criava ídolos que se assentavam no trono de seu coração.
A unidade deve ser mantida através da “comunhão” - andar juntos. É por isso que a Bíblia diz para não deixarmos de congregar (Hb 10.25), pois diante das tribulações e perseguições que aqueles cristãos sofriam, eles precisavam estimular uns aos outros a olhar para referência certa – os heróis da Fé e o próprio Cristo (Hb 11, 12.1-3) – se não, a sua fé não valeria nada.
A unidade deve ser mantida através do exercício dos “mandamentos recíprocos” que são o compromisso com o chamado bíblico que envolve amar (Rm 12.13-16), saudar (Rm 16.16), acolher (Rm 15.7), suportar (Cl 3.12-14), perdoar (Ef 4.31-32), encorajar (Hb 10.24), guardar (Hb 3.12-13), cuidar (1 Co 12.14-25), sujeitar (Ef 5.18-21) uns aos outros, entre outros mandamentos.
Jesus é o supremo exemplo de trabalho pela unidade a ser seguido (Fl 2.1-11). Portanto, cuidemos “cada um, não somente dos próprios interesses, mas também dos interesses dos outros”.
Vamos pensar, servir e viver como Jesus.


