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Celebramos nossa identidade

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
2 de jun. de 2024
3 min de leitura

Atualizado: 17 de jul. de 2024


Igreja é uma família para se pertencer. 

A Igreja é um ajuntamento de pessoas que celebram sua identidade. Elas sabem que receberam o direito de serem feitos filhos de Deus e que foram adotados em Sua família (Jo 1.12, Ef 2.19) e sabem que isto requer delas enxergar a vida a partir desta nova identidade de “filhos amados de Deus”. Filhos se parecem com seu Pai; filhos horam seu Pai e filhos que confiam em seu Pai.


Identidade é o reconhecimento de que o indivíduo é ele próprio, isto é, é o conjunto de caracteres particulares que identificam uma pessoa, como nome, data de nascimento, sexo, filiação, impressão digital e etc. Há também a identidade cultural que é o conjunto das características de um povo, oriundas da interação dos membros da sociedade e da forma de interagir com o mundo. Identidade cultural são as tradições, a cultura, a religião, a música, a culinária, o modo de vestir, de falar entre outros, que representam os hábitos de uma nação.


Nossa primeira identidade vem do fato de sermos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27), e isso define nosso propósito de espelhar e representar Deus. Espelhar no sentido de sermos um reflexo da presença de Deus. Deus através do ser humano se revela de forma singular, sejam em características subjetivas e até na expressão corpórea. Representar no sentido de que somos dotados para fazer algo e nossas ações devem representar a presença e o domínio de Deus sobre a criação. Esses propósitos revelam uma grande honra e privilégio do ser humano, quer seja em seus dons, capacidades e talentos, quer seja em suas ações e seu modo de relacionar-se com Deus e com os outros e, ainda, como usa seus dons.


Na história do filho perdido (Lc 15.11-32) encontramos a representação da humanidade que se afasta desta grande honra e privilégio em busca de uma identidade que não é aquela que Deus, o Criador, definiu para ela.


O filho, em um primeiro momento, pode ser identificado como um “filho rebelde” contra seu Pai e todas a condição e as coisas boas que lhe são oferecidas pois queria sua liberdade ilusória (Lc 15.11-12). No decorrer da história ele pode ser identificado como um “filho perdido” quando começa a colher tudo aquilo que plantou depois de esbanjar seus recursos com as companhias que escolheu. Restou-lhe desejar a comida dos porcos. Ele chega ao fundo de um poço de onde não tem condições de sair com suas próprias forças (Lc 15.13-16). A seguir, o filho pode ser identificado como um “filho consciente”, que é quando ele finalmente “cai em si” sobre a sua real situação e percebe que abriu mão de sua verdadeira identidade (Lc 15.17-21). Finalmente, ele pode ser identificado como um “filho obediente” que é quando ele simplesmente aprende a desfrutar daquilo que o Pai lhe oferece (Lc 15.22-24). Ele jamais deixou de ser filho, mas sua identidade ficou distorcida conforme suas ações. Sua identidade não muda com o passar do tempo, mas ela precisa ser restaurada das distorções que recebeu ao longo de sua caminhada.


A restauração da identidade se dá quando o filho volta pra casa arrependido dos seus pecados e diz “Pai, pequei contra o céu e contra ti” (18); consciente da graça do pai e diz “não sou digno” (18); motivado a servir e diz “trata-me como um de teus empregados” (19); disposto a agir na direção do Pai e age “a seguir, levantou-se e foi para seu pai” (20) e pronto a festejar a graça do Pai e desfrutar da sua oferta “Então, começaram a festejar o seu regresso” (24).


Nesse processo de descoberta e restauração da identidade o Pai liberta o filho permitindo-lhe andar por seus caminhos tortuosos na esperança de que ele aprenda, cresça, retorne e assuma viver a partir da sua verdadeira identidade ((Lc 15.11-12). O Pai espera o retorno de seu filho são e salvo, mas especialmente humilde e humilhado (Lc 15.13-20). O Pai celebra que seu filho possa viver a sua verdadeira identidade (Lc 15.22-24). E finalmente, o Pai corrige quando seus filhos não conseguem entender a verdadeira identidade e o relacionamento que ele promove (Lc 15.31-32). O Pai enxerga seus filhos em um processo. O Pai respeita o processo (11), o Pai não atrapalha o processo (13,20). O Pai festeja quando o êxito do (22-24) e o Pai corrige quando o processo não tem êxito (28, 31-32).


A igreja é nossa família da fé. Juntos celebramos nossa nova identidade recebida do Pai. Sabemos que somos filhas e filhos amados de Deus (2 Co 6.18) por causa da salvação que o Deus Trino arquitetou, executou, aplicou e garante e estamos conscientes de viver de modo digno da nossa verdadeira identidade que depende da graça do Pai. 



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