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Abram os olhos e vejam os campos

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
21 de set. de 2025
3 min de leitura

Jesus nos chama a enxergar com os seus olhos.

 

A capacidade de "ver" refere-se à captação física e passiva da luz e das imagens pelos olhos, o órgão físico. Enquanto "perceber" é um processo ativo e cognitivo que envolve a interpretação, ou seja, a atribuição de significado e compreensão àquilo que se vê, relacionando-o com o conhecimento e as experiências anteriores do indivíduo. Ver é um ato fisiológico, perceber é um ato mental que pode ser deflagrado por vários gatilhos.

 

Jesus faz um apelo, uma convocação a seus discípulos, pois eles viviam como que de olhos fechados. Estavam caminhando sem perceber o que de fato era importante (João 4.27-38).

 

Quando Jesus diz “abram os olhos e vejam os campos” faz um apelo para que seus discípulos vençam seus preconceitos (verso 27). A pessoa com quem Jesus travava uma conversa era samaritana. Uma raça desprezada pelos judeus por se terem misturado, ao longo da história, com outros povos. Já não eram israelitas puros. Além disso, era uma mulher. Naquele contexto a mulher era considerada um ser inferior com os quais não se deveria conversar em público, nem investir tempo em tentar ensinar coisa alguma.

 

Os discípulos eram pessoas do seu tempo e compartilhavam dos valores e noções da sua época. Eles entenderam que Jesus, um rabi, estava rebaixando-se em sua posição ao conversar com aquela mulher. Jesus estava agindo abaixo da sua dignidade pessoal. Quão errado pode ser um conceito, apesar de ser universalmente aceito!

 

Quando Jesus diz “abram os olhos e vejam os campos” faz um apelo para que seus discípulos cresçam em discernimento (verso 31). Os discípulos tinham muitas responsabilidades e afazeres dignos. Afinal, era quase meio dia e precisavam organizar a refeição. Após viajarem quase 50 kms haviam atingido aproximadamente metade da programação. Mas, em meio a todas estas responsabilidades, eles não percebiam a “janela de oportunidade” que era aquela mulher samaritana, “sedenta” da água viva do Evangelho, que é Jesus, e que era a missão deles proclamar. O que poderia ser mais importante?

 

Quando Jesus diz “abram os olhos e vejam os campos” faz um apelo para que seus discípulos compreendam a urgência da missão que têm pela frente (verso 35). A mulher samaritana era alguém sedenta de ouvir algo que desse sentido aos seus anseios mais profundos. Jesus era o Messias que “me disse tudo o que tenho feito”, isto é, compreendeu, interpretou e deu sentido à sua vida. De Jesus, não foi possível esconder nada por traz de um discurso religioso. Jesus ensinou que há frutos prontos a serem colhidos hoje, como quem colhe frutas da época. Basta fé e senso de urgência para discernir que a colheita está pronta!

 

Quando Jesus diz “abram os olhos e vejam os campos” faz um apelo para que seus discípulos assumam a responsabilidade da missão com alegria (versos 36-37). Há quem semeia e há quem colhe, e ambos devem realizar a sua parte na missão com grande alegria, pois não haverá colheita se qualquer um dos dois deixar de realizar a sua parte. Ao mesmo tempo, ambos podem se alegrar quando surge a colheita, pois participaram do processo.

 

Todo discípulo, em todo tempo, tem a responsabilidade de semear. Jesus ensinou isso aos discípulos na parábola do semeador (Mateus 13.1-23), depois enviou os 12 (Lucas 9), depois enviou os 72 (Lucas 10), depois comissionou todos (Mateus 28.18-20) e, finalmente, empoderou todo discípulo para a missão de semear (Atos 1.8).

 

Todo discípulo, em todo tempo, deve ter a expectativa de usufruir da colheita. Aqueles discípulos estavam a presenciar o que muitos antepassados na fé desejaram ver, isto é, a ação do Espírito Santo em realizar o ministério de convencimento do pecado, da justiça e do juízo e libertar pessoas através da instrumentalidade deles. Foi assim que eles se alegraram ao retornarem da missão da colheita (Lucas 10.36, João 16.7-11).

 

Quando Jesus diz “abram os olhos e vejam os campos” faz um apelo para que seus discípulos percebam que o Evangelho compartilhado transformou a vida daquela mulher samaritana, que depois transformou a vida daqueles com quem ela compartilhou (versos 39-42). Isso é um círculo virtuoso!

 

Vamos abrir nossos olhos e ver os campos prontos para a colheita?



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