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Provação

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
15 de dez. de 2024
3 min de leitura

A verdadeira mensagem do Natal fortalece nossas forças na caminhada do dia-a-dia (Lucas 2.36-38).

 

O final de ano pode ser um tempo estressante se nossa descrição do ciclo que vai se fechando for de muitas lutas, frustrações, doenças, filas, senhas e exames sem fim, de desemprego e etc. Um ano de provação pode querer roubar do natal a devida celebração e, deixar no coração a pergunta: é possível celebrar diante das provações da vida?

 

Ana, a profetisa que presenciou a apresentação de Jesus, nos ensina que é possível irromper em um hino de louvor a Deus apesar das provações particulares. Ela era uma idosa de 84 anos que fora casada por apenas sete anos e já era viúva há muito tempo. Apesar disso, o que ficou na memória da igreja de Jerusalém é que ela “nunca deixava a área do templo, adorando noite e dia com jejum e oração”. Enquanto uns vaticinam que a velhice é um “naufrágio” em que tudo vai piorando até acabar no fundo do mar; Ana, apesar das dificuldades particulares próprias de sua idade e da sua condição de viuvez, continuou firme com uma fé viva e proclamadora.

 

Ana, a profetisa que presenciou a apresentação de Jesus, nos ensina que é possível irromper em um hino de louvor a Deus apesar das provações sociais. Quando Jesus nasceu “todos aguardavam com expectativa a libertação de Jerusalém”. Eram aspirações políticas, pois desde 587aC Jerusalém estava sob invasão e domínio estrangeiros: da Babilônia, dos medo-persas, dos gregos e, naquele momento, dos romanos. Houve apenas um período de 100 anos de liberdade sob a liderança dos Macabeus (160-63aC) e Ana provavelmente viveu parte de sua vida sob essa liberdade. Agora o Império Romano impunha um clima tenso e insuportável que era assunto cotidiano. Os fariseus quiseram pegar Jesus envolvendo a questão dos impostos pagos à Roma, ao que ele respondeu “dai a César o que é de César” (Mateus 22.15-22). Entre seus apóstolos estava Mateus, cobrador de impostos, e Simão Zelote, disposto a pegar em armas para libertar Jerusalém do jugo romano. E até pouco antes da ascensão de Jesus, os discípulos queriam saber se o reino seria restaurado à Israel (Atos 1). Era um clima social dificílimo, mas, ainda assim, o que ficou na memória da igreja de Jerusalém é que ela “nunca deixava a área do templo, adorando noite e dia com jejum e oração”.

 

Ana, a profetisa que presenciou a apresentação de Jesus, nos ensina que é possível irromper em um hino de louvor a Deus apesar das provações espirituais. Ela “entregou uma mensagem a respeito da criança” diante da admiração de José e Maria e de todos que ali estavam. Somente Simeão e ela tinham plena consciência de que estavam diante do Messias. Não tinham ideia de como ele viria a ser, mas tinham certeza que seria através da morte dele. “Todos que estavam ali, esperavam a redenção de Jerusalém”, provavelmente através de um libertador ao estilo dos Macabeus. Mas, conforme a profecia de Simeão, Jesus não confirmou o ministério dos fariseus e religiosos da época, veio para derrubar orgulhosos e levantar humildes como sinal de contradição, pois revelou pensamentos de muitos. As expectativas da religião da época foram frustradas, pois a libertação tão esperada não veio pelo poder da liderança de um homem, de um exército e suas espadas, de estratégias, força ou poder, mas pelo sangue daquela criança. O preço da redenção de Jerusalém foi a morte de Jesus. Descrições como justo, piedoso, esperava a consolação de Jerusalém, adoração, jejum e oração descrevem os corações que entenderam os planos de Deus e não se frustraram com eles. As expectativas da religião oficial foram completamente frustradas, mas, ainda assim, o que ficou na memória da igreja de Jerusalém é que Ana “nunca deixava a área do templo, adorando noite e dia com jejum e oração”.

 

A mensagem do Natal fortalece nossas forças na caminhada da vida. Ela traz à memória a prova de amor de Deus para conosco, que Ele nos dá tudo através de Cristo e que, derrama Seu amor em nosso coração, concede e sustenta a nossa fé e nos enche de alegria, paz, esperança e poder (Romanos 5.8, 8.32, 5.5, 12.3, 15.13 e Hb 12.1-2).

 

Todas estas verdades nos remetem a um hino de louvor a Deus!

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