Para onde teus sonhos te levam?

Atualizado: 17 de jul. de 2024
O povo hebreu tinha uma perspectiva muito existencial da vida. Sua maneira de descrevê-la é sempre bastante concreta de tal maneira que até para descrever sentimentos ou a espiritualidade, ele se valeu de imagens concretas.
É assim que para descrever que Enoque tinha uma relação íntima e especial com Deus ele diz que “Enoque andou com Deus” (Gn 5.24). Ou, para descrever o caráter impenitente de Faraó é dito que “o coração do faraó se endureceu” (Ex 7.13) ou, que ficou duro como uma pedra. Ou ainda, a exortação de João Batista a que seus seguidores arrependidos manifestassem tal arrependimento com ações concretas que ele chamou de “frutos de arrependimento” (Lc 3.8, 11-14).
A fé também é vista desta maneira. Por isso Tiago discute que uma fé sem demonstrações concretas está morta e nos aponta para os “atos de fé” de Abraão ou da prostituta Raabe quando acolheu os espias (Tg 2.23-26)
Na linguagem bíblica, o coração é mais que o órgão que bombeia sangue para todo o corpo. Ele descreve o centro da vida, pois se parasse de pulsar era sinal de que a vida cessara. Ele descreve o nosso eu mais profundo, ou numa linguagem psicanalítica, o nosso Ego.
Por isso Jesus afirma que nosso tesouro determina onde está o nosso coração (Mt 6.21). Isso significa que investimos a nossa vida, os nossos dias, a nossa energia naquilo que damos valor. Isso, em que investimos vida, tempo, energia, ou seja, isso em que concentramos nosso coração - isso é o nosso tesouro.
Nosso coração - nosso eu mais profundo e centro de nossos afetos e decisões - é descrito como sendo cheio de sonhos. É uma constatação do sábio (Pv 16.1-3) e uma determinação do próprio Deus que o ser humano tenha um coração cheio de sonhos e projetos que “dominem a terra” (Gn 1.28). Portanto, sonhar não é pecado, pecado é não sonhar!
A advertência que temos diante dos sonhos do coração é que devemos ter projetos, planejar, arquitetar com inteligência e prudência (Lc 14.31-33). Se não, corremos o risco de sofrer muito na vida por não guardarmos o coração das coisas que nos afastam de viver com sabedoria (Pv 4.20-27), pois o próprio coração é enganoso, ou numa linguagem concreta, é um doente incurável de orgulho e arrogância (Jr 17.9-10).
Nosso coração, nossa vida, nosso Eu precisa ser disciplinado a não subestimar sua própria fraqueza e orgulho; nem sua capacidade de inverter valores perdendo a perspectiva correta das coisas da vida. Algumas coisas o tempo se incumbe de destruir, inclusive sonhos e projetos. Outras adentrarão a eternidade e são estas que devem guiar nosso coração (Mt 6.19-21).
Por isso precisamos da sabedoria que vem do alto, adquirida na oração e entendimento da Palavra de Deus (Tg 1.5-8) e manifesta na humilde submissão à vontade de Deus (Tg 4.13-17) para que se cumpra em nossa vida o que o sábio afirma sobre o viver de uma pessoa correta e abençoada por Deus. Ele diz: “A vereda do justo é como a luz da aurora, que brilha cada vez mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18-27).
Quais serão os seus caminhos em 2024? O que você sonha para a sua vida espiritual? Para o seu casamento? Para a sua família? Para sua vida e a vida de sua família na igreja?
Em tudo que sonhar, guarde o seu coração!




