O sangue de Cristo e a consciência

Atualizado: 17 de jul. de 2024
O sangue de Cristo é fonte de libertação.
A expressão o “sangue de Cristo” se refere à morte de Cristo na cruz do Calvário e a todos os benefícios de seu sacrifício. Ele é fonte de salvação e fonte de poder para viver uma nova vida. Ele também é fonte de libertação de todo sentimento destrutivo em nossa consciência.
Desde o primeiro casal há um sentimento na interioridade do ser humano que o acusa de suas falhas. É assim que Adão se esconde da presença de Deus, pois tinha consciência de que havia desobedecido a ordem de Deus (Gn 2.15-17; 3.8-12). Também Caim, após matar seu irmão, age de maneira evasiva diante da pergunta de Deus por Abel, pois tinha consciência de seu ato criminoso (Gn 4.8-12). Mesmo o Rei Davi, após se arrepender, pedir perdão e ser perdoado, carrega em si um sentimento de culpa que o faz clamar “torna a dar-me a alegria da tua salvação” (Sl 51.12), pois ainda sentia em sua memória a ruptura da comunhão que seus atos pecaminosos provocaram.
Os salmos refletem sobre esse anseio por desfrutar da alegria da salvação de maneira plena num coração, ou consciência, livre de culpa. Primeiro, fazendo do desejo sincero de viver uma vida em que seus caminhos, projetos e decisões agradem a Deus, um compromisso de conhecer e aplicar a vontade de Deus expressa nas Escrituras (Sl 119.9-16). Segundo, fazendo deste desejo e compromisso a oração que clama pela libertação dos próprios pecados que nem são conscientes, e que ele chama de ocultos (Sl 19.12-13).
Essa experiência de libertação da consciência da culpa paralisante que nos faz fugir da presença de Deus, de imaginar ser possível viver de maneira evasiva na presença de Deus e, finalmente, de sentir falta da alegria da presença de Deus é vivida na consciência e no ambiente de adoração.
É assim que o escritor de Hebreus nos remete ao ambiente de adoração do tabernáculo (Hb 9.1-16). No lugar Santo o sacerdote fazia sacrifícios diários que traziam à memória do adorador que ele continuava a cometer atos pecaminosos. Mas, no lugar Santíssimo “somente o sumo sacerdote entrava ...uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância” para trazer à memória do adorador que ele é pecador; ainda que não tenha consciência dos atos pecaminosos que tenha cometido.
O “sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha” foram capazes de tornar cerimonialmente e exteriormente puros os adoradores que buscavam o perdão, mas não de livrar plenamente sua consciência do sentimento de culpa. No entanto, “o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purifica a nossa consciência de atos que conduzem à morte, para que sirvamos ao Deus vivo!” (Hb 9.13-14). O sangue de Cristo nos livra da culpa paralisante para servirmos a Deus com consciência limpa.
Podemos encontrar em Pedro um exemplo de quem teve sua consciência tomada pelo sentimento de culpa paralisante do pecado. Logo que teve consciência de ter negado conhecer a Jesus, se arrependeu e chorou amargamente. No entanto, mesmo seu choro de arrependimento não foi suficiente para livrá-lo do sentimento de culpa. Pedro volta às redes das quais Jesus o havia tirado para ser pescador de homens. É preciso que Jesus venha a Pedro para restaurá-lo e purificar sua consciência (Mc 1.16-18; Lc 22.54-71, Jo 21.3-23).
O Apóstolo João afirma que se confessarmos nossos pecados, Jesus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e o seu sangue vai nos purificar de “toda” a injustiça (1 Jo 1.7-9).
O sangue de Jesus nos purifica do pecado e nos liberta de todo sentimento paralisante que nos impede de servir ao Deus vivo!
Clame, busque e se valha sem moderação!




