Jovens de Deus em um mundo sem Deus

Atualizado: 17 de jul. de 2024
Ser um jovem “de Deus” é uma grande bênção e privilégio.
O salmista levanta a questão sobre a possibilidade de um jovem manter uma maneira de viver que agrade a Deus. O texto é lembrado com frequência quando queremos pensar sobre os jovens e revela que essa já era uma questão de interesse do povo de Deus há aproximadamente três mil anos, ou seja, é uma questão antiga!
O salmo 119 é um poema acróstico de 22 estrofes correspondentes às 22 letras do alfabeto hebraico e a questão é posta logo na segunda estrofe (letra “bêt”, 9-16) revelando o contexto do coração do salmista que aponta duas lições para nós que vivemos hoje, em outro tempo e lugar.
O salmista entende que Deus deve ser considerado em nossa existência. A atitude é bem diferente da geração moderna que sentenciou que “deus está morto” ou da geração pós-moderna que criou um deus “à sua imagem e semelhança” que lhe serve aos desejos, como se fosse um gênio da lâmpada mágica. Mais preocupante ainda é averiguar que há aqueles dentre o povo de Deus, que se dizem “filhos de Deus”, mas vivem como se Deus não existisse. Para o jovem de Deus a existência não pode ser vivida à parte de Deus, pois a vida está em Deus.
O salmista entende que o padrão de pureza está em Deus. A atitude é bem diferente daquela observada na contemporaneidade em que o individualismo e o hedonismo são os referenciais para a felicidade. Assim, a busca da felicidade está concentrada em se dar vazão aos sentimentos e desejos que, cada vez mais baixos, desumanizam o ser humano levando-o a se comportar próximo à um animal irracional. Para o jovem de Deus a pureza é algo importante e o caminho para a felicidade. Ele encontra o padrão de pureza em Deus e discerne o próprio Deus como o padrão da pureza a ser seguida na observação daquilo que o próprio Deus comunica e como se revela em Sua palavra.
Na mentalidade hebraica existe uma concretude peculiar que contrasta com nossa subjetividade ocidental e moderna. Não é uma questão de privilegiar uma em detrimento da outra, mas de compreender que nenhum sentimento pode ser desvinculado de sua expressão concreta na vida, ou seja, não pode haver divórcio entre o que se crê e o que se vive. Se essa desvinculação ocorre, compreendemos que a integralidade com que Deus criou o ser humano está comprometida e que o ser humano está a viver uma esquizofrenia. Ou seja, ter uma mentalidade pura exige uma manifestação concreta correspondente.
É por isso que Jesus, quando fala com a mulher samaritana, afirma que Deus procura verdadeiros adoradores. Ele afirma que é necessário que os verdadeiros adoradores O adorem em espírito e em verdade, ou seja, com a integralidade de sua existência (Jo 4.23-24). O Apóstolo João replica esse ensinamento quando afirma que devemos amar não apenas “de palavra nem da boca para fora, mas em ação e em verdade” (1 Jo 3.18), ou seja, com a integralidade da nossa vivência, com todo o nosso ser.
Diversas são as maneiras de manifestar um viver que agrade a Deus e que são apontadas nos livros dos Salmos, Provérbios e em Eclesiastes, conhecidos como livros de “Sabedoria”. Eles apontam que a manifestação de amor a Deus se dá, especialmente pela obediência e fidelidade.
O Salmo 15, especificamente, nos ensina que uma conduta íntegra é uma manifestação concreta de um viver puro. Por isso, o salmista afirma que aquele que dessa maneira vive, ou procede, habita em Sua presença, ou seja, mantém comunhão com Deus.
Como pode um jovem ser de Deus em um mundo sem Deus?
Tenha uma conduta íntegra. Pratique o que é justo.
Tenha um falar puro. Fale sempre a verdade de coração, não difame, nem faça mal ou calunie o seu próximo.
Tenha honra. Busque o que é nobre.
Cumpra seus compromissos.
Seja amável e generoso.
Quem assim proceder, mesmo estando no mundo, manterá sua vida pura e terá comunhão com o Pai.




