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Encontro com o outro

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Fernandes
Pr. Edvaldo Fernandes
19 de out. de 2024
2 min de leitura

Cada pessoa precisa ter um encontro com o seu próximo. 

 

O Salmo 15 pode passar a falsa impressão de que está propondo uma série de regrinhas de como se tornar o “queridinho de Deus”! 


Assim como nosso relacionamento com Deus se dá a partir de encontros significativos em que, nossos olhos são descortinados à graça de Deus, também é necessário que o nosso próximo e nós mesmos, venhamos a ser descortinados diante de nossos próprios olhos. É a partir deste encontro revelador que se produzem transformações em nosso viver, e ficamos num estado de espírito de quem é tomado por viva admiração e encantamento, pois nossos afetos do coração são acessados. 


Jesus Cristo definiu que toda a lei se resume em dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Não se trata de mais dois mandamentos, mas da disposição do nosso coração em amar, pois o que me faz pensar no meu próximo e enxergá-lo como importante, é ser movido em sua direção pelos afetos (Mateus 22.37-39). 


O que move o coração do salmista é sua consciência da existência do Deus “totalmente outro” e sua necessidade de ter comunhão com esse Senhor. O salmista observou a humanidade à sua volta e, decepcionado com o que viu faz um lamento em forma de pergunta: “quem pode manter comunhão com o Senhor?” Pois, a sua decepção tem a ver com a incapacidade do ser humano de ser íntegro em suas intenções, seus atos e sua fala, especialmente diante do Deus que contempla seu coração dividido (Salmos 15.1-2). 


O que move o coração do salmista também é a sua consciência da existência do seu próximo. Em suas interrelações o salmista percebe o perigo que corre de difamar a Deus e ao próximo, criado à imagem de Deus, fazendo-lhe mal, especialmente com sua boca. É possível depreciar o mérito de alguém ou menosprezá-lo. É possível difamar alguém ofendendo sua reputação e, finalmente é possível caluniar alguém promovendo mentiras a seu respeito. O salmista tem consciência de que, na relação com seu próximo, precisa ter uma postura íntegra que, a princípio, rejeita apoiar o erro até finalmente decidir eliminar o relacionamento diante daquilo que é reprovável (Salmos 15.3-4). 


O salmista sabe que o próximo, especialmente o fragilizado, deve ser cuidado e jamais explorado. Que o mais forte deve proteger o mais fraco. É assim o exemplo do bom samaritano e do próprio Jesus (Salmos 15.5; Provérbios 19.17). 


O salmista aprendeu que quem assim procede nunca será abalado; ou seja, sempre estará seguro na companhia do Senhor. Quem deseja agradar a Deus “com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento” na inteireza de seu ser; terá sua razão, suas emoções e a sua espiritualidade preservada pelo próprio Deus. É assim que, o nosso Ego finalmente é tratado neste salmo. 


Encontrar-se com o próximo de maneira significativa é necessário para que saiamos para fora de nós mesmos. Esta interrelação denuncia e nos dá consciência de nossas ambições egoístas, e nos leva a ver o próximo do ponto de vista de Deus, e tratá-lo como o próprio Deus o faria.  


Que Deus nos permita ter encontros significativos com o nosso próximo. A verdadeira comunhão que nos permita ver a beleza e o valor do próximo que Deus vê, e assim, glorificarmos o próprio Deus. 

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