Diga ao povo que marche

As decisões na vida de um discípulo de Jesus precisam ser tomadas em parceria e submissão ao seu senhorio.
É importante pensarmos em decisões neste momento. Estamos iniciando o ano e provavelmente acabamos de fazer uma retrospectiva do que aconteceu no ano passado. Provavelmente, definimos o que foi conquista e o que foi frustração.
Nossa percepção não deve ser dominada nem por uma e nem por outra definição. Seria um reducionismo, sempre perigoso. Em nossa análise é importante reconhecer que há áreas que nos desenvolvemos melhor e outras que, realmente, deixamos a desejar. Em qualquer situação, no entanto, é importante reconhecer em primeiro lugar, o que cabe a nós como nossa responsabilidade; depois, o que pode ser colocado na conta de circunstâncias que fogem ao nosso controle e, finalmente e principalmente, perceber o que está no campo da vontade divina para nossa vida. Atribui-se a Francisco de Assis (1182 - 1226) a autoria da Oração da Serenidade que pode nos ajudar nesta avaliação, e que diz "Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado. Resignação para aceitar o que não pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra".
Quando voltamos nosso olhar para o episódio da saída de Israel do Egito e sua parada de frente ao Mar Vermelho, com o Faraó e seu exército no seu encalço, aprendemos lições extraordinárias sobre como tomar decisões quanto ao novo ano que recebemos (Êxodo 13-14).
Há atitudes que dependem de nós. Estão no campo da volição como um dom dado por Deus ao nos outorgar sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). Glorificamos a Deus quando exercemos com responsabilidade e sabedoria nossa volição, ou seja, o nosso poder de livre escolha, a capacidade de tomar decisões próprias, sem atribui-las a Deus ou ao destino. Cada ser humano tem em sua mente uma "preferência eletiva", isto é, o processo cognitivo pelo qual uma pessoa decide praticar uma ação específica. Pode-se evocar o subconsciente, os traumas e o que mais nos constituir, a responsabilidade pela decisão é particular e por isso deve ser exercida com sabedoria. É assim que o povo é responsável por decidir confiar ou não em Deus, como também atribuir a Moisés a culpa pelas circunstâncias que está vivendo (Êxodo 14.10-12). Deus, no futuro, julgará o povo por suas decisões e comportamento.
Há circunstâncias que fogem ao nosso controle. “O coração é terra que ninguém pisa” é uma expressão popular que fala sobre a impossibilidade de penetrar o íntimo do outro com propriedade. Conforme a Bíblia, o coração - o ambiente mais profundo e íntimo do ser humano - só é acessado por Deus. Até para a própria pessoa, o seu próprio coração é enganoso (Jeremias 17.9-10). Assim nesta história narrada no Êxodo, Moisés não tinha controle sobre as mudanças de ânimo e as ações do Faraó, muito menos em tudo o que elas acarretariam para a vida cotidiana do povo, tanto no Egito como já no deserto (Êxodo 14.10-12. Restava a Moisés enfrentar as circunstâncias sem procurar culpados. “Faça deste limão, uma limonada” diz outro dito popular, e Moisés decidiu sabiamente recorrer a Deus, ao invés de esconder-se em lamúrias e autocomiseração.
Há somente um Deus que dirige a história. Os deuses do Egito não passavam de ídolo, enquanto é alentador saber que Deus não é pego de surpresa pelas pessoas ou pelas circunstâncias. Jeremias diz que Deus conhece o coração humano; e o salmista, diz que Deus é um guarda que jamais cochila (Salmos 121.4-6). Mesmo as nossas falhas, erros e pecados, mesmo as maldades alheias e mesmo as circunstâncias que fogem ao nosso controle, nada disso escapa ao controle de Deus. A Bíblia diz que “Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem daqueles que o amam” (Romanos 8.28). Deus tem seus planos que são levados a efeito através de pessoas e das circunstâncias. A Bíblia afirma que Deus tinha tudo sob controle. Deus conduziu o povo até ali (Êxodo 14.1-9) e naquele lugar e circunstância os egípcios souberam quem é o verdadeiro Senhor (Êxodo 14.18) e “Israel viu o grande poder do Senhor... temeu o Senhor e pôs nele a sua confiança” (Êxodo 14.31).
O fator interno é nosso coração. Os fatores externos são as circunstâncias e as pessoas.
Mas, há o fator Deus com seus planos, poder e amor.
Que você ande para frente confiando em Deus.




